quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Somos incrivelmente bons!


O primeiro mistério da luz é este: a fé nos diz que não há dois princípios, um bom e um mau, mas há um só princípio, o Deus criador, e este princípio é bom, só bom, sem sombra de mal. E por isso também o ser não é uma mistura de bem e de mal; o ser como tal é bom e por isso é bom existir, é bom viver. Este é o alegre anúncio da fé: só há uma fonte boa, o Criador. E por isso, viver é um bem, é algo bom ser um homem, uma mulher, é boa a vida.

A otimista citação acima foi tirada do discurso do Papa deste final de semana. Com o título "o mal não é intríseco ao homem, Cristo triunfou sobre ele", Bento XVI lê Romanos 5 e chega a conclusão de que a natureza do homem depois da vinda de Cristo é boa - basta-nos pedir por mais dele.

Embora tenha sido o Papa que falou isto (e vocês sabem que ele é infalível!), há um erro nesta lógica - e um erro que vem carregado de um peso imenso. É difícil você falar que o homem é bom sem chegar à conclusão de que ele pode pagar sua entrada no céu - e é exatamente isto o que a Igreja Católica prega. Que os homens, através do seu livre arbítrio, conseguem entrar no céu.

Eu não sei quanto ao Papa, mas eu não creio nisto. Não sou infalível, sou mal, e vejo o mal crescendo dentro de mim de uma forma que eu não posso controlá-lo. Este controle não pertence a mim, e mesmo que pertencesse, eu o corromperia como todo o mais.

É por estas e outras que a cada dia tenho me apaixonado mais por Cristo. Em mim mesmo eu sou terrível, e mesmo minha justiça não passa de trapo de imundícia. Sou uma camisa rasgada, um odre velho, que não adianta simplesmente dar uma arrumada. É necessária a morte, a desistência de viver a vida pelas minhas forças para então vivê-la pela vida de Cristo.