sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Você vem me pegar?

Não me lembro muito sobre este dia. Só me lembro que estava triste, ajoelhado na cama de minha mãe, e uma profunda tristeza me dominava.

Eu tentava orar, falar alguma coisa para Deus, mas as palavras não vinham direito. Sentia dor, sentia medo de cometer algum deslize. Se conhecesse Casting Crowns me lembraria da música East to West e da frase "But today I feel like I'm just one mistake away/From You leaving me this way" ("Mas hoje eu sinto como se eu só tivesse mais uma chance de errar antes que Tu me deixes dessa forma"). Mas não conhecia, e a dor continuava.

Uma hora, eu olhei para Deus, chorando, e perguntei, mais ou menos com essas palavras:

- Deus, se eu pecar, se eu me desviar... você me busca?

***


Não foi a única vez que esta pergunta me assaltou. De certo modo, ela é a outra forma de perguntar se o crente pode "perder a salvação". Se podemos cometer algum erro, alguma espécie de pecado ou incredulidade que nos tire do Senhor. Bem, até poucos meses atrás minha infeliz resposta seria "sim, eu posso perder a salvação. Se eu pecar demais, o pecado vai me cegar - e vai me cegar porque eu estou deixando. Deus vai olhar para mim com amor, mas não fará nada. Foi o caminho que escolhi, e ele me deixará ir nele até o fim, se assim eu quiser". A resposta para este medo seria se esforçar, me aplicar nas coisas do Senhor, "dar o meu melhor".

Mas há uma piada nisto tudo. Eu não tenho nenhuma espécie de melhor para dar. Tudo em mim é mal, de todos os lados! Se a base de minha salvação é a minha vontade, o meu livre-arbítrio, é uma base fraca, que a qualquer momento pode cair, e levar o castelo que estava encima dela direto para as chamas do inferno.

Entretanto, encontrei uma resposta - e agora, vem a parte estranha do post. Como disse no último texto, descobri um Deus mais forte do que eu. Descobri um Deus que, se eu caminho para as trevas, é poderoso para me tirar de lá. Um Deus que me ama tanto que passa por cima das minhas decisões e me leva para junto dele, junto de seus braços de misericórdia, que foram estendidos na cruz por causa dos meus pecados.

Um herói particular. É isto o que tenho encontrado em Deus. Que a cada dia eu caminhe mais perto dele, mais próximo destes braços, encontrando nele descanso e paz diante do monstro que habitava em mim, e que tenta me assombrar diariamente.

(confuso? poisé, as vezes é a palavra que eu uso também para designar este momento de mina vida. mas o fato de Deus conhecer meu futuro me enche de paz)

to be continued

Um post sem muitas pretensões

Oi!

Sim, peçam para lhe beliscarem. Depois de um longo tempo fora da blogosfera, achei que seria bom voltar aqui e voltar a alimentar esse bichinho. Não sei se a alimentação será igual a de antes, mas já que aqui tenho uma quantidade ilimitada de caracteres (para mais ou para menos), pode ser um lugar interessante para registrar algumas coisas que venho pensando - coisas que tem muito a ver com o relacionamento entre este arganaz e a rua rocha, e sobre a força e soberania desta rocha.

Para começar de um jeito bem simples: entrei na trilha da Teologia. Ok, por enquanto estou nos primeiros passos, e os montes acima de mim parecem imensos, terríveis, enigmáticos. Em cada canto parece haver uma encruzilhada, e se alguém lhe diz que é melhor tomar um caminho, pouco depois você escuta alguém chamando esta pessoa de herege. O estranho é que é uma briga encima de verdade, e a verdade é algo que não pode ser desvalorizado - mas buscado, como um diamante precioso forjado pelo melhor de todos os forjadores. Salomão mesmo disse a sabedoria era mais preciosa do que as jóias, e que nada é mais desejável do que ela. Acontece que o que sinto no meio desta trilha é que parece que o caminho de alguns serve apenas para criticar o dos outros, e que todos os pecados são perdoados - menos os teológicos.

Bem, mas vamos anotar aqui apenas algumas coisas (hey, calma, são poucas! não precisa fechar a janela, e eu não estava falando sério quando disse de "limite para mais"). Primeiro, que descobri o quanto eu sou mal, e em mim mesmo bem nenhum - e que eu posso ser sincero com Deus em relação a isto. E em segundo lugar, mas extremamente importante, tenho descoberto o quanto Deus é forte (o que , ainda nesta noite, escrevo num pequeno texto). Ele me ama, e cuida de mim, e me deu uma nova natureza. E, em terceiro lugar, que minha vida serve para a glória de Deus, e não para a minha.

Bem, é isto. Quem sabe esteja um pouco mais denso, ou apenas seja reflexo de um texto escrito numa noite depois de um dia um pouco cansativo. Apenas espero que este texto e os próximos sirvam para gloficar a Deus, e que ele me ajude em todos os caminhos.

Por fim: que nenhuma teologia, nem nenhum conhecimento sirva para me afastar de Cristo, ou queira se colocar entre mim em Cristo. Como recebi estes dias por e-mail, "O propósito da teologia é a adoração a Deus. A postura da teologia é sobre os joelhos. O modo da teologia é o arrependimento." (James M. Boice & Philip G. Ryken, em The Doctrines of Grace). É este modo que desejo.

É isto. Continuo minha caminhada. Se aparecer mais textos por aqui, leia, comente, compartilhe. Se não, este blog vai continuar parado, e em alguns dias a marca do beliscão ali do começo vai desaparecer.