segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Prelúdio de "Justificação"


E a previsão do tempo dizia que ia ser um tempo quente...



Uma sala de um Castelo. Quatro tronos se erguem num dos cantos, e um mar gigantesco se estende atrás deles.

Um leão está na frente dos tronos, e fala enquanto um castor põe uma coroa na cabeça de uma criança. O leão apresenta a criança da seguinte forma:

"Edmundo, o Justo"

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Bem, quem já leu Nárnia (é de lá que veio esta imagem, e não de algum sonho surreal meu) sabe que este tal Edmundo não merece esta alcunha. Traidor cairia melhor, na verdade. Mas estes que viram sabem que, embora esta traição fosse cara e necessitasse de um pagamento alto, todo este preço foi pago - e na forma de um grande sacrifício.

Bem, Edmundo não merece este apelido, nas ele não está sozinho neste clube. Pelo menos eu, quando olho para mim, também vejo que não mereço apelidos que um certo livro insiste em me dar. Ele me chama de "Santo", "Salvo", ou o mais estranho de todos, "Filho de Deus". Mas mesmo eu sendo quem eu sou, o tal livro me chama assim. Não por mim, não por meus atos, mas porque todo o preço das minhas besteiras foi pago, e junto com a nota fiscal vieram estes presentes.

Sou como Edmundo. Cristo me coroa e me chama de Justo - mas um justo diferente. Não um que nasceu assim, ou que age assim, mas um pecador que foi justificado, por graça.

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Meio confuso, como todos os outros, mas é uma idéia que me apareceu hoje (quando revia o fim de Nárnia), e vai me obrigar a escrever um texto sobre a justificação. Algo interessante que o Senhor falou estes dias.

É isso.

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PS: Peguei hoje "Mero Cristianismo", do mesmo Lewis. Qualquer hora coloco algumas citações. Enquanto isto,


Wikiquote


O Wikiquote tem uma coleção de citações de ou sobre: Clive Staples Lewis.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Não eu, mas tu


Nota: Pensei o texto abaixo já há um tempo (semestre passado, quando ainda era calouro, néscio, e bastante orgulhoso). Como só hoje estou colocando ele no ar, pode ser que esteja meio vencido, mas acho que ainda vale a pena.

***

O jovem voltava para casa.

A paisagem do litoral se refletia em seus olhos, mas ele não estava prestando a atenção nela. Sua visão estava voltada para dentro de si mesmo - uma paisagem bem menos bela que o litoral.

Ali, ele se via há poucos minutos, ou poucas horas, entrevistando pessoas. Na verdade, tentando entrevistar, recolher informações para um exercício do curso. Mas as pessoas não eram pessoas "normais". Eram hippies, anarquistas, agnósticos, cheirando a incenso e vendendo produtos naturais (até absorvente "reutilizável") ao som de mantras. Simplesmente a cena mais avessa possível ao jovem urbano, sedentário, amante de frituras, favorável ao capitalismo, ouvinte de Rap - e cristão.

Era sobre este diferença, principalmente a última, que o jovem pensava, e orava. Ele olhava para si e se via inútil, sem fazer nada, falar nada, sem tocar aquelas vidas. Durante o tempo que este entrevistando, ouviu várias blasfêmias ao seu Deus, ao seu Amado Cristo - e se limitou em anotar no bloco de notas o nome "espiritual" do entrevistado. Sem retrucar, sem falar de volta, sem se impor.

Mas não havia como fazer isso, também! Ora, o jornalista, aquele que entrevista, é um ser neutro, que apenas recolhe os dados, os arruma da melhor forma possível, e passa para a sociedade. Um porteiro que toma o nome do convidado, ajeita-o um pouco (Monsieur, sua gravata fica melhor mais inclinada... assim!) e o deixa entrar no belo salão da Mídia.

"Senhor", ele pensava "como eu vou poder mostrar a eles a tua verdade? Como? Eu não posso! É impossível. E eu sei que tu és o Deus dos impossíveis, mas..."

Essa era a resposta. Esta é a resposta. Muitas vezes vamos achar as condições adversas, e mesmo em outras áreas, e outras ocasiões. Vamos ter que ver o pecado, ver os pecadores, e ignorar. Não vamos poder colocar o dedo na cara. Algumas vezes o Espírito Santo vai nos chamar a isto sim, mas não será sempre.

Mas há uma esperança para a hora em que não vamos poder falar: temos o Espírito Santo. Ele é apto para abrir o coração da pessoa, fazer uma porta, grande o suficiente para que a mensagem dele mesmo venha a entrar, e agir. Sim, muitas vezes estas palavras vão sair de nossas bocas, mas então teremos a certeza de que elas encontrarão no ouvinte um outro porteiro, mais amável, divino, que fará a mensagem entrar, e trazer festa ao coração.

O ônibus no qual o jovem estava entrou num túnel, e a imagem que refletia em seus olhos não era mais a de um litoral, e sim a de escuridão. Porém, dentro dele, aonde sua visão ainda se focava, uma luz acabara de brilhar.

***


Ok, fim fraco, mas foi o que veio.

Texto estranho, eu sei.

domingo, 12 de agosto de 2007

=O, O_o, e variantes.

Esse é o único título possível depois de eu ler uma certa música de um certo judeu ortodoxo que canta rap ao som de reggae.

A música é King Without a Crow, e você pode ouvir o seu álbum clicando aqui (a música é a última, por isso, o jeito é ir clicando no botão para o lado. Só o Internet Explorer faz isso. O Firefox não).

Vou colocar aqui embaixo a letra - e será este o relato de hoje. O relato de que mesmo este judeu que não reconhece a Cristo como o messias que ele clama em sua música, fala de coisas muito profundas sobre Deus.

Que um dia Matisyahu possa cantar "Yashua Ha´Machiac!"

Segue a letra:

Matisyahu - King Without A Crown (tradução) Matisyahu

O que é este sentimento?
Meu amor vai fazer um buraco no teto
Eu me dou a ti desde a essencia do meu ser
E eu canto para me Deus canções de amor e cura
Eu quero Mashiac** agora, é o tempo de começarmos as
revelações

És tudo que eu tenho e és tudo que eu preciso
Cada um dos meus dias eu clamo para te conhecer, por favor
Eu quero estar perto de ti, sim eu estou tão faminto
És como água para minh' alma quando ela está sedenta
Sem ti eu não existo
És o ar que eu respiro
Algumas vezes o mundo é trevas e eu realmente não posso ver
Com esses demônios cercando tudo em volta para me colocar pra baixo, na negatividade
Mas eu acredito, sim eu acredito, eu disse eu acredito
Eu permanecerei firme nos meus próprios dois pés
Não serei derrubado em um joelho
Luto com todas as minhas possibilidades e ponho esses demônios para fugir
Raios de Hashem* incendeiam, ardem, queimam brilhante e eu acredito
Raios de Hashem* incendeiam, ardem, queimam brilhante e eu acredito
Fora das trevas vem a luz, crepúsculo vespertino até as alturas

A coroa se eleva queimando tudo através do crepúsculo
Digo, graças ao meu Deus, agora finalmente está tudo certo
E eu luto com todo meu coração, e toda a minha alma, e
todas as minhas possiblidades

Lance fora as camadas e revele sua alma
Você tem que desistir de si mesmo e então você se tornará inteiro
Você é um escravo de si mesmo e você nem mesmo sabe
Você quer viver uma vida veloz e seu cérebro se move devagar
Se você está tentando se manter alto então você está comprometido a se manter baixo
Você quer Deus mas você não pode esvaziar seu ego
Se você já está lá então não há lugar para ir
Se você já quer encher as mãos, encha-as com a intensão de transbordar
Se você está se afogando nas águas e você não pode se manter flutuando
Peça a Hashem* por misericórdia e Ele vai te mandar uma corda
Você está procurando pela ajuda de Deus, você diz que ele não pode ser encontrado
Olhando para o céu e procurando abaixo do chão

Como um rei sem sua coroa
Eu me mantenho caindo
Você realmente quer viver mas não pode livrar-se do seu olhar carrancudo
Tentou alcançar até as alturas e feriu-se caindo no chão
Deixa seu orgulho de lado, e aí você ouve um som
Da noite vêm o dia e do dia vêm a noite
Anulando-se como luz do sol em um raio
Deixando lugar para o amor e o fogo da paixão.

O que é este sentimento?
Meu amor vai fazer um buraco no teto
Eu me dou a ti desde a essencia do meu ser
E eu canto para meu Deus canções de amor e cura
Eu quero Mashiac** agora, é o tempo de começarmos as revelações

* os judeus usam o nome Hashem, que significa "o nome"
para se referir a seu Deus. Para eles é pecado usar o
nome verdadeiro dEle fora de uma oração

** O Messias, descendente de Davi