segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Não eu, mas tu


Nota: Pensei o texto abaixo já há um tempo (semestre passado, quando ainda era calouro, néscio, e bastante orgulhoso). Como só hoje estou colocando ele no ar, pode ser que esteja meio vencido, mas acho que ainda vale a pena.

***

O jovem voltava para casa.

A paisagem do litoral se refletia em seus olhos, mas ele não estava prestando a atenção nela. Sua visão estava voltada para dentro de si mesmo - uma paisagem bem menos bela que o litoral.

Ali, ele se via há poucos minutos, ou poucas horas, entrevistando pessoas. Na verdade, tentando entrevistar, recolher informações para um exercício do curso. Mas as pessoas não eram pessoas "normais". Eram hippies, anarquistas, agnósticos, cheirando a incenso e vendendo produtos naturais (até absorvente "reutilizável") ao som de mantras. Simplesmente a cena mais avessa possível ao jovem urbano, sedentário, amante de frituras, favorável ao capitalismo, ouvinte de Rap - e cristão.

Era sobre este diferença, principalmente a última, que o jovem pensava, e orava. Ele olhava para si e se via inútil, sem fazer nada, falar nada, sem tocar aquelas vidas. Durante o tempo que este entrevistando, ouviu várias blasfêmias ao seu Deus, ao seu Amado Cristo - e se limitou em anotar no bloco de notas o nome "espiritual" do entrevistado. Sem retrucar, sem falar de volta, sem se impor.

Mas não havia como fazer isso, também! Ora, o jornalista, aquele que entrevista, é um ser neutro, que apenas recolhe os dados, os arruma da melhor forma possível, e passa para a sociedade. Um porteiro que toma o nome do convidado, ajeita-o um pouco (Monsieur, sua gravata fica melhor mais inclinada... assim!) e o deixa entrar no belo salão da Mídia.

"Senhor", ele pensava "como eu vou poder mostrar a eles a tua verdade? Como? Eu não posso! É impossível. E eu sei que tu és o Deus dos impossíveis, mas..."

Essa era a resposta. Esta é a resposta. Muitas vezes vamos achar as condições adversas, e mesmo em outras áreas, e outras ocasiões. Vamos ter que ver o pecado, ver os pecadores, e ignorar. Não vamos poder colocar o dedo na cara. Algumas vezes o Espírito Santo vai nos chamar a isto sim, mas não será sempre.

Mas há uma esperança para a hora em que não vamos poder falar: temos o Espírito Santo. Ele é apto para abrir o coração da pessoa, fazer uma porta, grande o suficiente para que a mensagem dele mesmo venha a entrar, e agir. Sim, muitas vezes estas palavras vão sair de nossas bocas, mas então teremos a certeza de que elas encontrarão no ouvinte um outro porteiro, mais amável, divino, que fará a mensagem entrar, e trazer festa ao coração.

O ônibus no qual o jovem estava entrou num túnel, e a imagem que refletia em seus olhos não era mais a de um litoral, e sim a de escuridão. Porém, dentro dele, aonde sua visão ainda se focava, uma luz acabara de brilhar.

***


Ok, fim fraco, mas foi o que veio.

Texto estranho, eu sei.

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