quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Me dá um Jota!

- Jota!
- Me dá um Ê!
- Ê!


Um homem, cantando num microfone ao som de guitarra, pede letras, enquanto garotas em outros microfones respondem.

- Me dá um Ésse!
- Ésse!
- Me dá um Û!
- Û!


A música serviria muito bem para crianças de cinco anos de idade. Entretanto, o homem canta no hall do Centro de Comunicação e Expressão da faculdade. É quarta-feira, dia em que algumas bandas se apresentam, e aonde alguns estudantes aproveitam para dançar, cantar, ou usar drogas. As vezes tudo ao mesmo tempo.

Hoje, entretanto, ninguém acompanha o homem, a não ser alguns poucos jovens, distribuindo folhetos.

- Me dá outro Ésse!
- Ésse!
- E EU QUERO JESUS!!!


O homem grita, o som da guitarra cresce, a bateria fica mais pesada. É como se das caixas de som saísse animação em ondas sonoras. Entretanto, para este som, boa parte dos estudantes está surda.

Dois jovens passam pela frente do espetáculo, conversando sobre o final da Lei de Moore. Um deles escuta o som, e, num sorriso, diz "glória a Deus". O outro, abaixa a cabeça, e por alguns instantes não sabe direito o que fazer. Um pouco de vergonha lhe atinge as faces. Mas só por alguns instantes.

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É curioso. Sempre nos lembramos do sacrifício de Cristo, das dores que ele passou, dos ferimentos nos pulsos. Entretanto, houve uma outra dor que nossos Senhor passou, uma dor mais próxima de nós. A vergonha. Enquanto ele caminhava até a cruz, as pessoas não faziam um silêncio solene - como se um Deus passasse por ali, por exemplo. Os homens riam dele, faziam piadas, e diziam "Salvou aos outros e não pode salvar a si mesmo".

Temos medo de nos envergonhar. No fundo, ninguém quer passar por ridículo na frente dos outros, pedindo letras para formar a palavra Jesus, ou sofrendo piada dos outros. Entretanto este foi um peso que Cristo carregou. Cristo não se importou em se preservar, em se cuidar. Ele preferiu a vergonha, porque tinha em seus olhos um objetivo maior do que a sua vida terrena. Ele não usurpou ser igual a Deus, mas a si mesmo se esvaziou, indo até a humilhação, e à morte humilhante.

Sejamos humilhados então. Sem vergonhas para fazer o que é certo. Sem vergonhas para fazer aquilo que Deus quis. Sem vergonha de se dizer cristãos, mesmo que isto signifique provocar risadas nos outros. Porque enquanto os outros riem dos evangélicos tolos, Jesus honra os seus filhos diante dos anjos.

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Hoje sem foto mesmo.

E lá vamos nós denovo.

Um comentário:

  1. Anônimo1:50 PM

    Realmente, a vergonha é uma coisa a se vencer em nossas vidas. Porém, mts cristãos hoje têm vergonha de se dizerem evangélicos. E com razão... sinceramente, se alguém perguntar se sou evangélico, prefiro dizer que não e explicar. Não quero ser reconhecido com um tolo pelos motivos errados. Posso ser considerado um tolo, mas por causa de Cristo Jesus e não por causa dessa pouca vergonha que andam ensinando por aí.

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