domingo, 24 de maio de 2009

Venho pois a cada dia




Não sei quantos conhecem aquela música do Asaph Borba que diz "Sim, eu sei Senhor que Tu és soberano". Pois bem, hoje de manhã estive pensando nela e, pela graça e misericórdia de Deus, percebi algo interessante.

Muitas vezes falamos (ou melhor, eu falo) da soberani e e poder de Deus de uma forma meio externa. Explico: Sim, Deus é poderoso para me ajudar num exercício da faculdade, ou para me prover o pão de cada dia, ou a ser mais paciente com algumas pessoas, numa situação específica. Entretanto, há uma dimensão muito maior em que podemos nos confiar a Deus.

Numa parte da música que eu falei ali encima, depois de contemplar a soberania e o plano de Deus, Asaph canta: "Venho pois a cada dia/ Venho cheio de alegria/ E me coloco em tuas mãos, pois és fiel". Muitas vezes, sim, precisamos do Senhor para mover as coisas que acontecem ao nosso redor, mas penso que muitas vezes também necessitamos de uma obra mais interna. Não apenas colocarmos nossos problemas nas mãos do Senhor, mas a nossa própria vida ser depositada ali. Nossos problemas, pecados, pequenos vícios, todos estes entregues nas mãos daquele que é fiel para cumprir sua perfeita obra em nós.

Que esta seja a nossa vida. Que desfrutemos da soberania do Senhor dentro de nós. Aquele que tem todo o poder e autoridade nos céus e na terra pode nos mudar. E ele é a nossa única esperança.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

MAJESTADE - e submissão


Uma bandeja como a do Ru - nada a ver com este texto, mas serve para ilustrar


Ontem conversava com um amigo no Restaurante Universitário da UFSC (um lugar fabuloso se você não pode pagar mais de R$ 1,50), quando ouvi algo interessante. Falava, como tem sido habitual, sobre a majestade, o poder, a força que estavam em Jesus, quando ele me lembrou que, ao lado de tudo isto estava o fato de Jesus obedecer ao Pai.

Ok, pequeno texto, mas serve bem para compartilhar. Quão precioso é o nosso Senhor! Não apenas é o melhor exemplo possível de firmeza e heroísmo, mas viveu uma vida perfeita debaixo de total submissão. C. S. Lewis dizia que Cristo não era um "leão domesticado". Não. Ele é diferente do que o mundo prega, e não se importa em ser diferente. Mas, ao mesmo tempo, é totalmente submisso à vontade de Deus, seja em vir à terra, seja em curar, seja em ser pendurado em uma cruz. "Nenhum dolo se achou em sua boca", disse Pedro, e dos lábios do próprio messias ouvimos que ele não fez nada que antes não tivesse visto o Pai fazer.

Acho que este é um desafio para nós hoje - pelo menos para mim. Força no Senhor, vontade de pregar o evangelho e defender as Escrituras - mas, ao mesmo tempo, submissão a tudo o que ele fala - mesmo que, pela submissão, sejamos levados a reduzir a marcha. E os corredores que me perdoem, mas muitas vezes reduzir a marcha perto de uma curva é uma ótima idéia.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Mais uma vez, Spurgeon

Desta vez, comentário de Sprugeon sobre o versículo 1 do salmo 23 - sim, tudo só sobre o versículo 1. Estou traduzindo do texto que está disponível neste site. Se alguma boa alma quiser me ajudar, apontando correções, ficaria grato.

“O Senhor é o meu pastor”. Que condescendência é esta, que o Infinito Senhor assume diante do seu povo o ofício e o caráter de um Pastor! Deve ser um tema de grandiosa admiração que o grande Deus permite ser comparado a algo que vai expor seu grande amor e cuidado para o seu próprio povo. Davi foi um guardião de ovelhas, e entendeu tanto as necessidades das ovelhas quanto os muito cuidados de um pastor. Ele comparou a si mesmo como uma criatura fraca, indefesa, e tola, e ele teve Deus como seu Provedor, Preservador, Diretor, e, de fato, seu tudo. O homem não tem o direito de considerar a si mesmo uma ovelha do Senhor a não ser que sua natureza tenha sido renovada, pela descrição bíblica dos homens não-convertidos retratados não como ovelhas, mas sim como lobos ou bodes. Uma ovelha é um objeto de propriedade, não um animal selvagem; seu dono dá grande importância à ela, e frequentemente é comprada por um alto preço. É bom saber, assim como Davi fez, que pertencemos ao Senhor. E há aqui um nobre tom de confiança nesta sentença. Não há um “se”, ou um “mas”, nem talvez um “eu espero que”, mas ele diz “O Senhor é o meu pastor”. Nós devemos cultivar um espírito de assegurada dependência sobre nosso Pai celestial. A mais doce palavra de todas é aquele monossílaba: “meu”. Ele não diz “O Senhor é o pastor de todo o mundo, e liderar adiante da multidão como o seu rebanho”, mas “O Senhor é o meu pastor”; se ele não é o pastor de ninguém mais, ele é o pastor para mim; ele cuida de mim, vigia a mim, e preserva a mim. E as palavras estão to tempo presente. Qualquer que seja a posição do crente, ele está sob o cuidado pastoral de Jeová.
As próximas palavras são uma espécie de inferência da primeira afirmação – elas são sentenciosas e positivas - “nada me faltará”. Eu fortemente desejava outras coisas, mas quando o Senhor é meu pastor ele é capaz de suprir minhas necessidades, e ele está certamente disposto a fazer isto, pelo seu coração cheio de amor, e portanto, nada me faltará. Eu não sinto falta de coisas temporais. Ele não alimenta os corvos, e faz os lírios crescerem? Como, então, ele pode deixar seus filhos famintos? Eu não sinto falta de coisas espirituais. Eu sei que sua graça é suficiente para mim. Descansando nele, Ele dirá para mim: “como os teus dias, assim seja a tua força”. Eu posso não possuir tudo que eu quero, mas mesmo assim “nada me faltará”. Outros, mais opulentos e sábios que eu, poderão sentir falta, mas eu não. “Os leõezinhos necessitam e sofrem fome, mas àqueles que buscam ao Senhor, bem algum lhes faltará”. Não é apenas “eu creio que nada me faltará”, mas “nada me faltará”. Se uma fome devastar a terra, ou uma calamidade destruir a cidade, “nada me faltará”. A velhice com a sua debilidade não podem me trazer nenhuma carência, e mesmo a morte com seu abatimento não irão me encontrar indigente. E tenho todas as coisas em abundância; não porque eu tenho um bom depósito de dinheiro no banco, não porque eu tenho habilidades e sagacidade com a qual ganho o meu pão, mas porque “O Senhor é o meu pastor”. O perverso sempre deseja, mas o justo nunca; o coração pecador está distante da satisfação, mas um espírito gracioso habita no palácio do contentamento.