sábado, 2 de junho de 2007

O Deus Invasor


A-a-ssim como a água/ Enche a esponja
Era uma vez um Reino.

Não sei direito aonde ele ficava, mas os antigos dizem que ficava numa tal de depressão do Ego, onde houve uma batalha há um tempo. Bem, não sei até que ponto isto está certo (O historiador Dan Brown não fez ainda um livro nos explicando o que é verdade ou mentira nesta caso), mas vou falando do que ouvi.

Neste vale, havia um pequeno reino. Não era que nem os feudos das aulas, com servos forçados e um rei cheio de poder e crueldade. Os servos, sim, tinham de trabalhar, e aos 30 anos estavam sendo medidos para o caixão, e não comiam carne, mas viviam felizes, riam, e olhavam as estrelas de noite. O rei, Igiosso, não era alguém forte. Na verdade, se sentia meio fraco, e era mais motivo de piada para os servos do que motivo de reverência.

Pois bem. Um dia, um mensageiro chegou na porta da cidade. Ele usava roupas coloridas, alegres, e de tal forma andava que as pessoas ficavam olhando para ele pelas frestas do muro em mal estado. Ele foi direto ao secretário, que tinham uma mesa na entrada do Reino.

- Olá. Represento um Rei distante, Rei Terno, porém que agora vem chegando próximos destes feudos. Informo-lhe que este Rei é dono destas terras, e agora pede ao seu senhor que se torne vassalo dele.

O porteiro olhou para o mensageiro com um certo desdém - até por não entender o que era vassalo - e voltou a olhar para seu papel.

- Bem, se você soubesse quantas pessoas aparecem todos os dias dizendo que são donas destas terras... Bem, mas digamos que eu simpatizei com você. Está vendo aquele bosque ai ao lado? O nome dele é Bosque do Moral. Você e seu rei podem fixar acampamento ali.

- Somente isto? - o mensageiro perguntou, dando grande ênfase em cada palavra.

- Bem... - O Porteiro ficou um pouco nervoso com o tom de voz dele, mas nada que chamasse sua atenção mais do que o conto que lia no papel - bem, vocês podem dar uma passeada pelo reino nos domingos de manhã. Basta?

O mensageiro iria falar alguma coisa, mas bom estrategista que era, aceitou. Não completamente, mas por um tempo apenas.
***

Um tempo se passou. o Rei Igiosso estava com alguns problemas. Suas medidas absurdas (como impedir que os homens fortes morressem na guerras para ter um exército forte, ou mandar as galinhas botarem dois ovos por dia para que ele não tivesse que parar de comer omelete) deixaram de ser piada e passaram a ser vistas como atos irresponsáveis. Pelas ruas conspirações eram feitas em todos os momentos, e era sensível que em algum momento os camponeses trocariam os intrumentos agrícolas por espadas e facas, e iriam até o castelo.

Foi neste momento que o Mensageiro veio falar com o Rei.

- Bem, senhor, venho falar com você sobre a situação em seu reino.

O rei Igiosso deu um sorriso.

- Ora, como assim situação! Tudo está bem, e... CUIDADO! - ele se abaixou segundos antes de uma flecha acertar a parede de pedras atrás de si. Depois de respirar um pouco, o mensageiro disse.

- E agora, o que você me diz?

- Bem, isso não foi nada... Devem ser os arqueiros, ou o vento... Tenho que fazer uma

Um Feudo
lei proibindo o vento de lançar coisas pela minha janela... Onde já se viu! - Mas depois de ver que o mensageiro não concordava com o que ele dizia, Igiosso cedeu, e resolveu ir até o Rei Terno.
***

Igiosso estava na tenda do Rei Terno. Uma fogueira aquecia seu interior.

- Até aqui na Moral pode-se ouvir os murmúrios contra você, Igiosso.

- Sim, eu imagino - Ele respondeu, vendo o fogo. Seu coração também se derretia de pedra para algo mais transparente naquela tenda. Era feliz dizer a verdade, ou pelo menos concordar quando a ouvia. Receber o Reino do seu Pai, mas no testamento não constava a responsabilidade.

- Você deve ter ouvido que eu sou o verdadeiro Dono destas terras, não? - Igiosso concordou, com um certo medo - Então. Tenho uma alternativa para você, Igiosso: invadirei seu Reino.

- Mas como assim invasão! Perai, as coisas não chegaram a um ponto que seja necessária uma medida assim, e... - Igiosso parou e pensou um pouco. - É, quem sabe eu precise mesmo de um ajuda, mas... Uma invasão?

- Sim meu caro. Sou um Rei experiente. Já ajudei muitos reinos a serem realmente livres, e que seus reis, na posição de meus vassalos, puderam viver harmoniosamente com seu feudo. Proponho invadir seu Reino, entrar em cada casa, em cada quarto do seu castelo, e ali tirar aquilo que pode mover uma nova rebelião. Depois, com o seu feudo subjugado ao meu poder, colocarei você no trono - não no de Rei, mas de mero Regente.
Esta será minha invasão.
***


Um texto meio rápido, eu sei (sim ele acabou naquele três pontos ali). Fiz ele apenas para dizer uma coisa: Deus é invasor. Não um invasor no sentido de ir entrando, de arrombar portas, de subjugar quem está berrando. Ele é um cavalheiro neste termos. Mas é invasor no sentido de que, quando ele entra em nossas vidas, ele entra em tudo. Eu sei que isso é uma das palavras feitas do Cristianismo, mas muitas vezes nos esquecemos, justamente por ser palavra feita.

Invada-nos.

2 comentários:

  1. Escrevi o texto meio rápido, com um teclado suficientemente ruim sob os dedos e tendo que sair logo para um compromisso. Mas digo à minha grande massa de leitores que em breve deverei reorganizá-lo.

    Apenas um comentário a mim mesmo.

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  2. hahaha, comentário pra vc mesmoo??

    tão, consegui um tempo para ler o texto...

    Mto bom, gostei... só não compreendi a esponja taaals!
    hehehe

    Bjooo =*

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