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| Uma foto do Tio Lewis |
Sobre o dilema moral gerado por seu teísmo filosófico:
De fato, para um jovem ateu é impossível defender sua fé com total eficácia. Perigos espreitam em toda parte. Você não deve fazer, nem mesmo tentar fazer, a vontade do Pai, a menos que esteja preparado para "tomar consciência da doutrina". Todos os meus atos, desejos e pensamentos deveriam ser postos em harmonia com o Espírito universal. Pela primeira vez examinei-me a mim mesmo com um propósito seriamente prático. E ali encontrei o que me assustou; um bestiário de luxúrias, um hospício de ambições, um canteiro de medos, um harém de ódios mimados. Meu nome era legião. (...)
Assim como os ossos secos se batiam e se ajuntavam naquele tenebroso vale de Ezequiel, agora também um teorema filosófico, cerebralmente acalentado, começava a agitar-se e erguer-se, lançando longe a mortalha e pondo-se de pé para tornar-se presença viva. Eu não mais teria permissão para brincar de filosofia. Talvez, como hoje creio, ainda fosse verdade que meu "Espírito" diferisse de algum modo do "Deus da religião popular". Meu Adversário abriu mão desse ponto. Isso megulhou em total irrelevância. Ele não se disporia a discutir a questão. Disse somente: "Eu sou o Senhor"; "Eu sou o que sou"; "Eu sou".
Afinal, o instante da sua conversão, que na minha opinião é o trecho mais bonito do livro:
O Deus que eu afinal havia reconhecido era único, e era justo. O paganismo fora somente a infância da religião, ou apenas um sonho profético. Onde a coisa se desenvolvera plenamente? Ou onde estava o despertar? (The everlasting man me estava ajudando aqui) Só existiam de fato duas respostas possíveis: ou no hinduísmo ou no cristianismo. Todo o resto fora uma preparação para essas duas religiões, ou senão vulgarização (no sentido de disseminação) delas. Tudo o que você pudesse encontrar em qualquer outro lugar, encontraria também numa das duas, só que de forma mais evoluída. Mas o hinduísmo parecia ter duas desvantagens. Em primeiro lugar, não parecia ser tanto a maturidade moralizada e filosófica do paganismo, mas uma mera coexistência não partilhada de filosofia e paganismo não depurado; a meditação do brâmane na floresta e, na vila distante dali poucos quilômetros, prostituição no templo, sati, crueldade, monstruosidade.
Em segundo lugar, não havia uma base histórica como no cristianismo. Na época eu já era experimentado o suficiente na crítica literária para considerar os Evangelhos como mitos. Eles não tinham sabor mítico, e no entanto a própria essência que eles revelavam ao seu modo não artístico, histórico - aqueles judeus de mente estreita, pouco atraentes, cegos demais diante da riqueza mítica do mundo pagão em torno deles - era precisamente a essência dos grandes mitos. Se alguma vez um mito se tornasse fato, fosse encarnado, seria exatamente assim. E nada mais em toda a literatura era exatamente assim. De certo modo, os mitos são como os Evangelhos. De outro, a história é como eles. Mas nada era absolutamente como eles. E pessoa nenhuma era como a Pessoa que eles descrevem; tão real, tão reconhecível, mesmo ao longo de todo esse abismo temporal, quanto o Sócrates de Platão ou o Johnson de Boswell (dez vezes mais que o Goethe de Eckermann ou o Scott de Lockhart); e no entanto também numinosa, iluminada por uma luz estranha ao mundo, um deus. Mas se um deus - já não somos politeístas - então não um deus, mas Deus. Aqui, e somente aqui, em toda a extensão do tempo, o mito deve ter-se tornado fato; a Palavra, carne; Deus, Homem.
Sobre a passagem definitiva ao cristianismo:
O Deus que eu afinal havia reconhecido era único, e era justo. O paganismo fora somente a infância da religião, ou apenas um sonho profético. Onde a coisa se desenvolvera plenamente? Ou onde estava o despertar? (The everlasting man me estava ajudando aqui) Só existiam de fato duas respostas possíveis: ou no hinduísmo ou no cristianismo. Todo o resto fora uma preparação para essas duas religiões, ou senão vulgarização (no sentido de disseminação) delas. Tudo o que você pudesse encontrar em qualquer outro lugar, encontraria também numa das duas, só que de forma mais evoluída. Mas o hinduísmo parecia ter duas desvantagens. Em primeiro lugar, não parecia ser tanto a maturidade moralizada e filosófica do paganismo, mas uma mera coexistência não partilhada de filosofia e paganismo não depurado; a meditação do brâmane na floresta e, na vila distante dali poucos quilômetros, prostituição no templo, sati, crueldade, monstruosidade.
Em segundo lugar, não havia uma base histórica como no cristianismo. Na época eu já era experimentado o suficiente na crítica literária para considerar os Evangelhos como mitos. Eles não tinham sabor mítico, e no entanto a própria essência que eles revelavam ao seu modo não artístico, histórico - aqueles judeus de mente estreita, pouco atraentes, cegos demais diante da riqueza mítica do mundo pagão em torno deles - era precisamente a essência dos grandes mitos. Se alguma vez um mito se tornasse fato, fosse encarnado, seria exatamente assim. E nada mais em toda a literatura era exatamente assim. De certo modo, os mitos são como os Evangelhos. De outro, a história é como eles. Mas nada era absolutamente como eles. E pessoa nenhuma era como a Pessoa que eles descrevem; tão real, tão reconhecível, mesmo ao longo de todo esse abismo temporal, quanto o Sócrates de Platão ou o Johnson de Boswell (dez vezes mais que o Goethe de Eckermann ou o Scott de Lockhart); e no entanto também numinosa, iluminada por uma luz estranha ao mundo, um deus. Mas se um deus - já não somos politeístas - então não um deus, mas Deus. Aqui, e somente aqui, em toda a extensão do tempo, o mito deve ter-se tornado fato; a Palavra, carne; Deus, Homem.
Só pra atualizar... To gripado...
Paz




