segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

O Verbo se fez carne.
O Autor se fez personagem.

"O Filho de Deus tornou-se homem para possibilitar que os homens se tornem filhos de Deus" (C. S. Lewis)

Depois de muito pensar sobre um texto legal sobre o natal e que valesse a pena ser escrito (e lido depois), percebi que esta frase resume bem o Natal.


Celebramos a vinda de Deus a este mundo! Celebramos um Deus que nos amou tanto que nos deu seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida Eterna.

Celebramos o Verbo que se fez carne e habitou no meio de nós.

Celebramos o Deus que fendeu os ceús e desceu, e que se não tremeu os montes, pelo menos ensinou aos seus discípulos uma forma de lançá-los ao mar.


É isto.

Feliz Natal.

PS: E se alguém dizer "Natal é festa pagã", diga que aniversário também é. E pegue os presentes das mãos dela. Você vai ajudar seu irmã a se purificar do fruto do paganismo.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

One year later for them, 1300 for Narnia

Para aqueles que não querem baixar do youtube, e que não tem paciência de ver o vídeo que está neste site.



Viva o Youtube!

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Uma sombra de preocupação passa diante dos meus olhos....

... quando, depois de ler um folheto sobre "Telefonia IP", por R$ 160,00 e 50% de desconto para universitários, o que chama mais a a minha atenção é o item que fala que haverá um "coffe break".



PS: Yeah. Este blog deixou de ser formal.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Colagens semi-artesanais



Várias vezes, quando estou numa reunião, ou lendo alguma coisa teológica de profundo entendimento (como as bulas de remédio), minha mente faz (ou recebe) comparações para que o entendimento fique mais simples. Vai ver é o que dá ler autores como Lewis e Chesterton que não fazem um capítulo sem uma comparação - sempre ótima.

Colo aqui embaixo algumas destas imagens que queria (e ainda quero) usar em textos mais promissores que o meu blog - mas enquanto eles não chegam, vamos deixar aqui mesmo.

"O rancor é como uma algema, que te prende a pessoa. Entretanto, é uma algema com barra de ferro entre os grilhões. Uma barra de ferro dura, inflexível, que além de te prender eternamente a pessoa, não permite que você abraçe ela. O perdão é o martelo que quebra esta barra de ferro."

"O natal é o extremo oposto da Volta de Jesus. No primeiro, um bom velhinho vem no dia que todo mundo sabe, entra pela chaminé, dá presente para crianças boazinhas (e por coincidência, com pais com salários bonzinhos) para que elas tenham uma vida legal - e ninguém vê nada.
No segundo, um Rei em sua plenitude vem num dia que ninguém sabe, aparece nos céus, dá presentes para crianças, jovens, adultos e velhos que não merecem, leva eles para uma outra terra - enquanto todo mundo está vendo. Tirando o óbvio de que uma é lenda. A outra é realidade."

"O que o diabo faz conosco é colocar pequenos ratos para nos visitarem todas as noites. Nas primeiras noites nós nos irritamos, oramos para que Deus tire eles dali, mas logo aprendemos que uma boa paulada mata os ratos. Deixamos de orar e ficamos com um marreta na mão, esperando o rato entrar. Por três noites ele aparece, e nós o matamos. Na quarta ele não aparece - e um dragão entra pela porta."

"Dizem que o amor cobre perdão de pecados. Isto está totalmente certo. O amor é a ponte que, apesar de todos os pecados, permite que cheguemos à pessoa. Sem o amor, apenas vemos os pecados das pessoas - e não ela trás de tudo, clamando por ajuda."

"Amor", powered by Power Point

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Uma razão

Depois de falar do melhor argumento para a queda, vou falar do que me leva a trabalhar até agora, 03:38.

Um zine.

Você que está lendo deve saber o que é. Se não, baixe ele clicando aqui.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

A prova cabal da Queda.

Um dos grandes problemas da atualidade, quando falamos com pessoas que não conhecem a Cristo, é falar do pecado. Para elas, o pecado simplesmente não existe. Nãhá coisas erradas.

Lewis tratou deste problema falando da moral. Chesterton, falando da loucura. Mas eu achei um ponto, um argumento, simplesmente infalível. Estava andando hoje pelo centro e ele, como uma música, me acertou. Gostaria que vocês ouvissem-no, mas como não consigo, deixo o belo poema que serve como prova deste argumento, e que com certeza servirá para vocês também.

Vejam:

"Alô!
É dos garotos de ouro?
Sim...pois não!

(...)

Estribrilho:
OLHA O FILHINHO, OLHA O FILHINHO, OLHA O FILHINHO DO PAPAI!
[risadas]
ESSE MENINO, ESSE MENINO É O FILHINHO DO PAPAI!
[risadas]
OLHA O FILHINHO, OLHA O FILHINHO, OLHA O FILHINHO DO PAPAI!
[risadas]
ESSE MENINO, ESSE MENINO É O FILHINHO DO PAPAI!
[risadas]

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Ok. Depois eu coloco algo de espiritual aqui. Tenho pensado bastante, e provavelmnete logo o vocabulário grego de vocês vai ganhar mais uma palavra. Mas por enquanto, aguardem.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Andrizomai (ἀνδρίζομαι)
ou: "O arganaz sai da toca"



Às vezes, nós somos levados a pensar que Deus, bem não passa de uma ilusão, de um delírio. Pode parecer forte, mas nesse clima pós-moderno e racionalista, é uma flecha que o inimigo tem usado bastante, e contra a qual nossas próprias defesas são fracas. Entretanto, é nestes momentos que Deus vem e mostra sua mão, nos livrando destas flechas, e nos mostrando que ele realmente existe. Esta é uma grande vantagem de se crer num Deus vivo.

***


Eu estava ontem lendo a bíblia quando encontrei no final de 1 Coríntios uma declaração interessante de Paulo:
"Vigiai, estai firmes na fé, portai-vos varonilmente, sede fortes" (1 Co 16.13)
"Portai-vos varonilmente". Quando eu li isso, corri pro computador para ver no e-Sword qual palavra Paulo usou para dizer isso, e encontrei o que está no título ali encima: Andrizomai. No inglês, act manly, que deve significa algo como "agir como homem". Bem, esta foi um golpe de misericórdia de Deus em mim depois de diversas situações que ele vem falando comigo (e que justificam o subtítulo).

Deus não nos deu a salvação dizendo "Ok, você é salvo. Tente não fazer muita besteira até que eu volte". A salvação nos dá esperança numa vida eterna, nos dá uma luz no fim do túnel - mas mesmo que distante, essa luz ilumina nossas vidas já no presente. Temos que viver diferente, então, e não digo só de não fazermos determinadas coisas. O mundo está cansado de saber o que os cristãos não fazem. Agora, é a hora de mostrarmos o que fazemos. É a hora de vivermos como Filhos de Deus, cientes de nossa responsabilidade e da ajuda que temos. Muitas vezes temos sido pessoas indolentes, pessoas sem gosto, sem sal, apagados. Cristãos sem sal e sem luz, quando deveriam ser Sal na Terra e Luz no Mundo.

Olha o exemplo dos homens que levaram o paralítico até Jesus. Eles olharam a multidão mas não pararam nos obstáculos. Eles podiam ter dito "Ah, tem muita gente... Sabe como é Jesus, pode estar ocupado, entende...". Não. Eles não foram apenas homens - foram heróis. Deus veio chamar homens e mulheres, mas para transformá-los em heróis e heróinas, como estes homens. Eles foram além da dificuldade, e abriram um buraco na parede para que o amigo conhecesse a Cristo. Isso é determinação. Isso falta em nós. Entretanto, não estamos sozinhos na luta.

O título do blog alude ao versículo de Pv 30.26, de arganazes fracos, débeis, mas que fazem suas casas na rocha. Mas nossa vida Cristã não deve parar ai. Não devemos nos esconder na Rocha e ficarmos com medo de sairmos, como se o mundo fosse muito mais poderoso, como se os prazeres do mundo fossem muito melhores, como se o mundo fosse muito mais atraente e como se nosso Deus tievesse que nos cegar para que nós o amásse-mos. Pelo contrário. Deus nos mostra como as coisas realmente são. A vida ao lado dele não nos leva a não pecar por que "é errado", mas porque o Deus que nos amou não gosta. Deixamos de ser religiosos e passamos a ser amadores de Deus, aventureiros buscando a vontade do Rei que os arregimentou. Leia o evangelho. É este tipo de cristianismo que ele nos passa.

Voltando ao arganaz (e fechando este estranho gigante post), é hora do Arganaz sair da toca - e sim, estou falando de mim. É hora de colocar a cabeça pra fora, olhar as pessoas, os outros arganazes que vivem fugindo das águias, sem saber que há uma rocha para se esconder. É hora de olharmos para o céu, vermos as águias, os abutres que perseguem os outros arganazes, nos olhando com desprezo/raiva/medo. Mas também é hora de pensarmos em sair, ir até o chão, até o mundo real, o mundo do menor abandonado, da amiga com namoro acabado (ou com um filho não desejado), e do jovem drogado. Ir a este mundo, não por medo, não por imposição, mas por amor. Amor ao Deus que nos salvou e amor ao próximo que não conhece a Ele.

Então a gente desce da rocha. Os abutres aumentam o seu desprezo/raiva/medo por nós, e alguns arganazes nos acham meio estranhos. Nos esforçaremos, faremos tanto o bem que nos faltará tempo e disposição para fazer o mal. Lutaremos, gladiaremos, e (quem sabe) um dia um abutre pode acabar levando-nos a morte. Mas a gente não teme. O Rei das Àguias e do todos os outros animais está encima de nós. E do lado de nós. E dentro de nós.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Fanáticos?
ou: "Algo para queimar corações"?




Recortes do site do "Omelete".

"A trilogia [As Fronteiras do Universo, que vai ter o primeiro filme lançado em Dezembro, com o nome de "A Bússula de Ouro], que faz sucesso na nova categoria de livros infanto-juvenis lidos também por adultos, formada por A Bússola Dourada, A Luneta Âmbar e A Faca Sutil, mostra a história de Lyra Belacqua, uma garota da cidade de Oxford de um universo paralelo ao nosso. Todos os humanos do universo de Lyra possuem daemons, espíritos animais conectados a eles por toda a vida. Os daemons dos adultos têm uma forma definida, enquanto os daemons das crianças são capazes de mudar de forma, o que atrai a Igreja, que inicia uma série de experiências secretas sobre o assunto. Lyra acaba participando de uma luta que envolve vários universos paralelos - incluindo o nosso -, além de bruxas e anjos, e coloca a Igreja sob uma luz bastante crítica."

(...)

"Outro ponto que tem atraído o ódio dos cristãos radicais é a Autoridade. Embora um debate entre o autor e um bispo na Inglaterra tenha acontecido pacificamente, sem que o livro fosse considerado blasfemo, a opinião nos Estados Unidos é outra, com His Dark Materials atraindo ainda mais acusações do que Harry Potter. Para a maioria dos leitores contrários a Pullman, a Autoridade é Deus. Weitz, no entanto, diz que o escritor definiu a Autoridade como qualquer entidade arbitrária, seja ela política, religiosa, totalitária, fundamentalista, comunista ou seja o que for que impeça a liberdade do indivíduo. O diretor garante que não pretende mudar a natureza ou intenção dos vilões, mas que eles podem aparecer de forma mais sutil."

"Seja como for, a simples existência do filme - alterado ou não - promete dar um tremendo alvo para que os radicais exerçam seu fanatismo. E as filmagens ainda nem começaram."

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Quando os movimentos minoritários se reúnem, fazem marcha, levantam bandeira e dizem que os que estão contra eles estão errados, são quadrados, fanáticos, os movimentos são exaltados.

Quando os crentes malucos sugadores de dinheiro dos pobres e manipuladores de massa se reúnem contra um filme que ataca a mais preciosa das crenças e verdades deles, são fanáticos fundamentalistas.

Somos os conservadores de um mundo de progressistas que corre a passos largos a um grande abismo que chama de Progresso.

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Um post de fim de feriado com o objetivo de queimar os corações de jovens crentinhos.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Paulo é Brasileiro!


Paulo, no estranho filme brasileiro Irmãos de fé(e claro, Paulo tinha olhos claros


Não, esta não é nenhuma tentativa de criar uma nova teoria, dizer que Paulo era brasileiro, que Tarso ficava no brasil... Essas coisas. Já bastam grande teólogos como Claudiomiro, que jogando em Belém do Pará disse que era "um prazer jogar na cidade que Jesus nasceu".

O objetivo deste post é que você leia a frase abaixo trocando "Israel" por "Brasil", e vendo se não fica interessante. Claro, você pode achar normal, sem graça, mas esta frase me saltou aos olhos hoje.

"Irmãos, o bom desejo do meu coração e a minha súplica a Deus por Israel [ou Brasi] é para sua salvação. Porque lhes dou testemunho de que têm zelo por Deus, mas não com entendimento. Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à justiça de Deus. Pois Cristo é o fim da lei para justificar a todo aquele que crê.
(Rom 10:1-4)

PS: Caso você queira ler mais belas frases e teorias do futebol, recomendo este site.



quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Parousia (παρουσία)


"Paul Sides predisse que o dia 13 de Setembro de 2007 (hoje!!!) marcaria o fim de 7 anos de 'guerra e rumores de guerra' que começou com a anulação do Acordo de Oslo. Sides prevê no final dos 7 anos do 'período de tribulação' que culmina numa guerra na Terra Santa que traria de volta o Messias."

Achei isso aqui no wikipedia (em inglês).

Nota: Hoje é dia 13 de Setembro de 2007. Temos mais 2h e pouco de dia aqui no Brasil.

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Há apenas uma coisa interessante nisso tudo. Tipo, claro que Jesus não deve voltar hoje (às vezes parece que este povo que lê tanto a palavra e acha as mais variadas datas nunca parou pra ler este versículo aqui, Mt 26.36).

Mas apesar disto, há uma coisa interessante. Fala sério: pensar por alguns instantes que ele voltaria amanhã não dá um certo frio na barriga? Não é tão mais fácil pensar em várias desculpas (FALTA O ANTICRISTO, O ANTICRISTO!!!!) do que abaixar a cabeça e dizer "Maranata"?

Somos como certos guardas que, na sua última noite de serviço, antes de conseguirem a aposentadoria, viram sua terra receber uma maldição: trevas para todo o sempre.
Somos estes guardas, que vigiam, guardam, de certo modo tensos às vezes (pois tem um tesouro consigo, presente do Rei, valiosíssimo) - mas que aguardam pela manhã, pelo romper dela, quando descansarão na casa do Rei para todo o sempre, sempre iluminados pela sua glória.

"Das profundezas clamo a ti, ó Senhor.
Senhor, escuta a minha voz;
estejam os teus ouvidos atentos à voz das minhas súplicas.
Se tu, Senhor, observares as iniqüidades, Senhor,
quem subsistirá?
Mas contigo está o perdão, para que sejas temido.
Aguardo ao Senhor; a minha alma o aguarda,
e espero na sua palavra.
A minha alma anseia pelo Senhor,
mais do que os guardas pelo romper da manhã, sim,
mais do que os guardas pela manhã.

Espera, ó Israel, no Senhor! pois com o Senhor há benignidade, e com ele há copiosa redenção;
e ele remirá a Israel de todas as suas iniqüidades."(Sl 130)

"E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de luz de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os alumiará; e reinarão pelos séculos dos séculos."(Ap 22.5)

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to-be-continued

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Paradoxo

Chesterton, jornalista (só podia ser) inglês, em seu livro Ortodoxia (já citado neste post), fala que o cristianismo está cheio de paradoxos. Cristo ama a Justiça ardentemente, mas ao mesmo tempo ama tanto o injusto que morreu para livrá-lo do juízo. Do mesmo modo um Deus extremamente santo se abaixa ao ponto de poder tocar e trazer vida a homens extremamente traidores. São dois opostos ardentes e gigantes unidos numa mesma pessoa. E creio que há duas palavras que, mesmo parecidas, ilustram bem isto: amo (no sentido de senhor, mestre, patrão) e amor.

Uma, fala de alguém superior, que manda. Nos traz a imagem de um gênio que obedece quem esfregou sua lâmpada, não por querer, mas por dever. É uma palavra carregada de peso, assombrosa, ainda mais em dias liberais como hoje.

Já a outra, é como uma luz no fim do túnel, uma vento refrescante numa manhã quente. É profundo o desejo de cada pessoa, e podemos até mesmo dizer que elas correm para o amor, para este sentimento, com a mesma força que correm do amo, com seu chicote e capa preta.

E ai vem Cristo, mestre em unir opostos, judeus e gentios, une as duas palavras em sua pessoa. Ele é um Senhor, um Kurios, um elevado Rei e Soberano sobre toda a terra - mas ao mesmo tempo vem nos amar, cuidar de nós, nos ajudar em nossas fraquezas. É como um gigante que, criando um mundo, e estando fora dele, num instante resolve visitá-lo, e se torna amigos de alguns habitantes deste mundo.

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Ok. O segundo semestre do jornalismo se deixou uma marca: eu estou desaprendendo a escrever. Isso mesmo: desaprendendo. Mas posso fazer uma matéria de rádio falando sobre isso, o que vocês acham?

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Prelúdio de "Justificação"


E a previsão do tempo dizia que ia ser um tempo quente...



Uma sala de um Castelo. Quatro tronos se erguem num dos cantos, e um mar gigantesco se estende atrás deles.

Um leão está na frente dos tronos, e fala enquanto um castor põe uma coroa na cabeça de uma criança. O leão apresenta a criança da seguinte forma:

"Edmundo, o Justo"

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Bem, quem já leu Nárnia (é de lá que veio esta imagem, e não de algum sonho surreal meu) sabe que este tal Edmundo não merece esta alcunha. Traidor cairia melhor, na verdade. Mas estes que viram sabem que, embora esta traição fosse cara e necessitasse de um pagamento alto, todo este preço foi pago - e na forma de um grande sacrifício.

Bem, Edmundo não merece este apelido, nas ele não está sozinho neste clube. Pelo menos eu, quando olho para mim, também vejo que não mereço apelidos que um certo livro insiste em me dar. Ele me chama de "Santo", "Salvo", ou o mais estranho de todos, "Filho de Deus". Mas mesmo eu sendo quem eu sou, o tal livro me chama assim. Não por mim, não por meus atos, mas porque todo o preço das minhas besteiras foi pago, e junto com a nota fiscal vieram estes presentes.

Sou como Edmundo. Cristo me coroa e me chama de Justo - mas um justo diferente. Não um que nasceu assim, ou que age assim, mas um pecador que foi justificado, por graça.

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Meio confuso, como todos os outros, mas é uma idéia que me apareceu hoje (quando revia o fim de Nárnia), e vai me obrigar a escrever um texto sobre a justificação. Algo interessante que o Senhor falou estes dias.

É isso.

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PS: Peguei hoje "Mero Cristianismo", do mesmo Lewis. Qualquer hora coloco algumas citações. Enquanto isto,


Wikiquote


O Wikiquote tem uma coleção de citações de ou sobre: Clive Staples Lewis.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Não eu, mas tu


Nota: Pensei o texto abaixo já há um tempo (semestre passado, quando ainda era calouro, néscio, e bastante orgulhoso). Como só hoje estou colocando ele no ar, pode ser que esteja meio vencido, mas acho que ainda vale a pena.

***

O jovem voltava para casa.

A paisagem do litoral se refletia em seus olhos, mas ele não estava prestando a atenção nela. Sua visão estava voltada para dentro de si mesmo - uma paisagem bem menos bela que o litoral.

Ali, ele se via há poucos minutos, ou poucas horas, entrevistando pessoas. Na verdade, tentando entrevistar, recolher informações para um exercício do curso. Mas as pessoas não eram pessoas "normais". Eram hippies, anarquistas, agnósticos, cheirando a incenso e vendendo produtos naturais (até absorvente "reutilizável") ao som de mantras. Simplesmente a cena mais avessa possível ao jovem urbano, sedentário, amante de frituras, favorável ao capitalismo, ouvinte de Rap - e cristão.

Era sobre este diferença, principalmente a última, que o jovem pensava, e orava. Ele olhava para si e se via inútil, sem fazer nada, falar nada, sem tocar aquelas vidas. Durante o tempo que este entrevistando, ouviu várias blasfêmias ao seu Deus, ao seu Amado Cristo - e se limitou em anotar no bloco de notas o nome "espiritual" do entrevistado. Sem retrucar, sem falar de volta, sem se impor.

Mas não havia como fazer isso, também! Ora, o jornalista, aquele que entrevista, é um ser neutro, que apenas recolhe os dados, os arruma da melhor forma possível, e passa para a sociedade. Um porteiro que toma o nome do convidado, ajeita-o um pouco (Monsieur, sua gravata fica melhor mais inclinada... assim!) e o deixa entrar no belo salão da Mídia.

"Senhor", ele pensava "como eu vou poder mostrar a eles a tua verdade? Como? Eu não posso! É impossível. E eu sei que tu és o Deus dos impossíveis, mas..."

Essa era a resposta. Esta é a resposta. Muitas vezes vamos achar as condições adversas, e mesmo em outras áreas, e outras ocasiões. Vamos ter que ver o pecado, ver os pecadores, e ignorar. Não vamos poder colocar o dedo na cara. Algumas vezes o Espírito Santo vai nos chamar a isto sim, mas não será sempre.

Mas há uma esperança para a hora em que não vamos poder falar: temos o Espírito Santo. Ele é apto para abrir o coração da pessoa, fazer uma porta, grande o suficiente para que a mensagem dele mesmo venha a entrar, e agir. Sim, muitas vezes estas palavras vão sair de nossas bocas, mas então teremos a certeza de que elas encontrarão no ouvinte um outro porteiro, mais amável, divino, que fará a mensagem entrar, e trazer festa ao coração.

O ônibus no qual o jovem estava entrou num túnel, e a imagem que refletia em seus olhos não era mais a de um litoral, e sim a de escuridão. Porém, dentro dele, aonde sua visão ainda se focava, uma luz acabara de brilhar.

***


Ok, fim fraco, mas foi o que veio.

Texto estranho, eu sei.

domingo, 12 de agosto de 2007

=O, O_o, e variantes.

Esse é o único título possível depois de eu ler uma certa música de um certo judeu ortodoxo que canta rap ao som de reggae.

A música é King Without a Crow, e você pode ouvir o seu álbum clicando aqui (a música é a última, por isso, o jeito é ir clicando no botão para o lado. Só o Internet Explorer faz isso. O Firefox não).

Vou colocar aqui embaixo a letra - e será este o relato de hoje. O relato de que mesmo este judeu que não reconhece a Cristo como o messias que ele clama em sua música, fala de coisas muito profundas sobre Deus.

Que um dia Matisyahu possa cantar "Yashua Ha´Machiac!"

Segue a letra:

Matisyahu - King Without A Crown (tradução) Matisyahu

O que é este sentimento?
Meu amor vai fazer um buraco no teto
Eu me dou a ti desde a essencia do meu ser
E eu canto para me Deus canções de amor e cura
Eu quero Mashiac** agora, é o tempo de começarmos as
revelações

És tudo que eu tenho e és tudo que eu preciso
Cada um dos meus dias eu clamo para te conhecer, por favor
Eu quero estar perto de ti, sim eu estou tão faminto
És como água para minh' alma quando ela está sedenta
Sem ti eu não existo
És o ar que eu respiro
Algumas vezes o mundo é trevas e eu realmente não posso ver
Com esses demônios cercando tudo em volta para me colocar pra baixo, na negatividade
Mas eu acredito, sim eu acredito, eu disse eu acredito
Eu permanecerei firme nos meus próprios dois pés
Não serei derrubado em um joelho
Luto com todas as minhas possibilidades e ponho esses demônios para fugir
Raios de Hashem* incendeiam, ardem, queimam brilhante e eu acredito
Raios de Hashem* incendeiam, ardem, queimam brilhante e eu acredito
Fora das trevas vem a luz, crepúsculo vespertino até as alturas

A coroa se eleva queimando tudo através do crepúsculo
Digo, graças ao meu Deus, agora finalmente está tudo certo
E eu luto com todo meu coração, e toda a minha alma, e
todas as minhas possiblidades

Lance fora as camadas e revele sua alma
Você tem que desistir de si mesmo e então você se tornará inteiro
Você é um escravo de si mesmo e você nem mesmo sabe
Você quer viver uma vida veloz e seu cérebro se move devagar
Se você está tentando se manter alto então você está comprometido a se manter baixo
Você quer Deus mas você não pode esvaziar seu ego
Se você já está lá então não há lugar para ir
Se você já quer encher as mãos, encha-as com a intensão de transbordar
Se você está se afogando nas águas e você não pode se manter flutuando
Peça a Hashem* por misericórdia e Ele vai te mandar uma corda
Você está procurando pela ajuda de Deus, você diz que ele não pode ser encontrado
Olhando para o céu e procurando abaixo do chão

Como um rei sem sua coroa
Eu me mantenho caindo
Você realmente quer viver mas não pode livrar-se do seu olhar carrancudo
Tentou alcançar até as alturas e feriu-se caindo no chão
Deixa seu orgulho de lado, e aí você ouve um som
Da noite vêm o dia e do dia vêm a noite
Anulando-se como luz do sol em um raio
Deixando lugar para o amor e o fogo da paixão.

O que é este sentimento?
Meu amor vai fazer um buraco no teto
Eu me dou a ti desde a essencia do meu ser
E eu canto para meu Deus canções de amor e cura
Eu quero Mashiac** agora, é o tempo de começarmos as revelações

* os judeus usam o nome Hashem, que significa "o nome"
para se referir a seu Deus. Para eles é pecado usar o
nome verdadeiro dEle fora de uma oração

** O Messias, descendente de Davi

sábado, 28 de julho de 2007

Personagens, apenas isto (uma continuação do texto abaixo)

Apenas continuando o texto. Agora, passando para uma parábola:

"O Reino dos Céus é semelhante a um homem que, escrevendo uma história, encontrou personagens que desejassem ter suas histórias escritas por ele. Eram personagens que depois de encontrar o autor, largaram seus finais felizes e resolveram viver segundo o enredo que o Autor quisesse.

Digo-vos que estes personagens, que se curvaram à caneta do autor, foram amados por ele, e este amor é tão grande que, um dia, lhas será permitido sair da folha, e compartilhar da existência com seu Autor. Serão reais então.

Eis que vos digo que o dia da transformação vem sem demora. Bem-aventurado o que espera alerta"

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Nosso Drama Particular


"E se o mundo for uma espécie de show? E se todos nós formos apenas talentos reunidos pelo Grande Descobridor de Talentos Lá de Cima? O Grande Show da Vida!" (Philip Roth)

Num relato passado, falei do Rei Igiosso, e da Invasão de seu Reino. Queria fazer um texto bonitinho e bem feito, assim como queria fazer de Igiosso um conto de 20 páginas. Como a Vilã da inspiração resolveu falha hoje, coloco uma frase. Um pensamento.

Somos muito semelhantes à atores. No monólogo de nossa vida, muitas vezes de improviso, tentamos agradar a platéia de outros atores ao nosso redor. Tentamos que os outros ajam conforme o nosso script, e quando isso não acontece, sentimos nosso teatro desabar.

Porém, em alguns momentos, vemos alguns atores, colegas de profissão, apresentando de jeito estranho. É neste momento que ouvimos que eles estão apresentando não para os outros, como atores normais, mas para um tal senhor, um Diretor.

Encurtando a história: pode parecer incrível, mas foi do agrado deste diretor temível e majestoso se agradar de nosso drama particular. E isto é tão sério que ele nos ajuda a agirmos de forma agradável a Ele. Cada cena de nossa vida passa a ser cheia de um significado, pois é o cenário que nosso Diretor nos deu para nele vivermos nossa história.

Tu, Senhor, és o Diretor, o Ajudador e a Platéia de nosso Espetáculo.

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"Porque tenho para mim, que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos, e aos homens." (1Co 4.9)

sábado, 7 de julho de 2007

Um poema em prosa

No início, tínhamos a lei, que nos dava uma dimensão do nosso erro.

Era como uma luz que, quem sabe um pouco fracamente, mostrava que tínhamos um peso sobre nós.

Porém um dia veio Cristo. A Luz veio à Terra, e mostrou aos homens o quão maus eles eram. Sim, eles colocaram ele numa cruz por causa disto, mas no íntimo, sabiam que além do peso que já os assombrava, havia algo maior, crescente.

Este é o estranho da vida cristã. Falamos de graça, sim, mas Deus teve mais do que apenas graça. Teve um amor, um profundo amor por nós. E isto é simples de ser visto.
Ele nos mostrou o erro. Bem, nós não merecíamos isto. Mas além disto, ele nos deu um ajudador, um amigo, alguém para a cada dia nos iluminar com sua luz, mostrando nossos erros. Ele nos deu força também.

Mas não só isto. Este ajudador, com o tempo, mesmo sendo tão bom, e tão gracioso, poderia se tornar um enfado, mostrando nossos erros e nos levando a ver que apenas com uma concentração sobre-humana nós poderíamos alcançar o padrão dele. Era um Lei
mais terrível, pois passou a morar dentro de nós.

Mas como disse acima, Cristo é gracioso, mas é amoroso. Ele não se conteve em nos livrar de um peso terrível, e nos dar uma direção. Ele fez com que sua luz brilhasse tão forte por entre a neblina que nos separa dele que Ele se tornasse (se bem que já era) desejável. Ele nos salvou, morreu, venceu, mas também sorriu, e um sorriso tão belo que não precisamos de muito para amá-lo.

Salvador, ajudador, amigo, amável, és.

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Isso me veio, o sentimento que burbulhou este texto pra fora, depois que eu ouvi esta ministração hoje de manhã. Podem criticar os adventistas por tudo, e andar na frente de seus templos vendendo pipoca nos sábados só pra criticar, mas Alejandro Bullón tem umas ótimas palavras.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Flashback


Só um mero comentário. Uma nota:

Há pouco estava vendo minha lista de links do flog (sim eu tenho um também: tá AQUI), deparei lá com um chamado "meu blog".

Cliquei e entrei pra ver, e acabei deparando com a página ali do lado. Sim, um blog antigo, num tempo em que eu escrevia ainda mais estranho.

Entrem, e passem tempos agradáveis com o Rogérinho quando tinha 15 anos.

PS: Cliquem na foto.

Relato Culinário


Té! diz :
Bom, continuando o que estava compartilhando antes, aqui está a outra coisa em que o Senhor falou comigo no sábado que estivemos juntos no acampamento Batista!

Foi o que a Cacá compartilhou, que não sai muito do assunto anterior:
(Lucas 5: 4-6)
Quando acabou de falar, Jesus disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar.
Respondeu-lhe Simão: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos, mas sob a tua palavra lançarei as redes.
Isto fazendo, apanharam grande quantidade de peixes; e rompiam-se-lhes as redes.

Essa palavra me chama muito atenção em um ponto principal:
Obedecer!

Como a Cacá falou, eles já tinham passado a noite pescando e nada de peixes! Então "alguém" vem e diz que agora eles iriam pescar! Mas não era alguém qualquer, era Jesus!! E eles sob a palavra de Jesus, se submeteram, obedeceram, lançaram as redes e pescaram muitos peixes!
Obedecer e confiar tem suas doces consequências!

Eu disse:
hum...
doces consequências...

Té! diz :
don't termina aí

Eu disse:
ah
mas podia

Eu disse:
ficou...
meio culinário, atpe

Té! diz :
ahh

Eu disse:
até

Té! diz :
tão pode ser
hauhauhaua

Eu disse:
hauhauhuaa

Té! diz :
"coloque sua esperança, fé e obediencia em uma tigela com 2kg de oração e 2xic de jejum
bata tudo até q fique homogeneo
unte seu coração com graça e alegria

Eu disse:
queime a carne...
e pique ela o suficiente...

Té! diz :
hauahuahua
q mórbido

Eu disse:
sirva com pão
de proced/ência celestial
hauhauhau

Té! diz :
amém irmão
boa noite
Eu disse:
hauhauaua
boas
hey
vo copia esse texto e cola no blog

e agora você o leu aqui.

=D

i like controucê.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Citando Chesterton- I

Coloco aqui algumas frases de Chesterton, em sue maravilhoso Ortodoxia, sobre as diferenças entre o cristianismo e o budismo. O interessante é como ele consegue tirar tantas verdades numa mera comparação.

Este é o primeiro lote, mas em breve devem vir mais.


Saint Peter, por
Peter Paul Rubens

"Mesmo que eu pensasse, como um grande de pessoas de mediana instrução, que o budismo e o cristianismo eram semelhantes, há uma coisa, há uma coisa há respeito destas duas religiões que sempre me embaraçou. Quero me referir à impressionante diferença no seu tipo de arte religiosa. Não quero reportar-me ao seu estilo técnico de representação, mas sim às coisas que, evidentemente, se desejam representar. Não há dois ideais que possam ser mais opostos do que um santo cristão numa catedral gótica e um santo budista num santo chinês. A oposição verifica-se em todos os pontos e, talvez, o mais insignificante aspecto desta oposição seja o facto de que o santo budista tem sempre os olhos fechados, ao passo que o santo cristão os tem sempre largamente abertos. O santo budista tem um corpo saudável e harmonioso, mas os olhos são pesados e cerrados pelo sono. O corpo do santo medieval está descarnado até os ossos desconjuntados, mas os olhos estão atrozmente vivos. Nunca poderia haver qualquer real comunhão de espírito entre forças que produziram símbolos tão diferentes como estes. Admito, mesmo, que ambas as imagens são extravagente, ou são perversões de um credo puro. Só uma real divergência poderia ter produzido extravagância tão opostas. O budista olha com peculiar atenção para dentro; o cristão olha com uma frenética atenção para fora. Se seguirmos, firmemente, esta sugestão, encontraremos algumas coisas deveras interessantes."

"A divindade oriental é como um gigante que tivesse perdido uma perna ou uma das mãos e andasse, constantemente, em busca do que perdeu; o poder divino cristão é como um gigante que, num estranho acto de generosidade, cortasse a mão direita para que esta pudesse, por deliberação própria, trocar com ele um aperto de mão".

terça-feira, 19 de junho de 2007

Crítica à "crítica à marcha"

É estranho começar o texto assim, mas vou começar com a seguinte frase:

Eu havia acabado de escrever o texto.


Estava feliz. Já havia corrigido três vezes, verificado todos os acentos, cada coisinha do texto. Contei as palavras de cada frase e todas tinham menos de 23 palavras - menos aquela última do segunda parágrafo, mas não tinha como diminuir!

Joguei o texto para a impressora ali do lado, esperei ela transformar o resultado de uma hora de trabalho em tinta sobre um papel e me levantei.

Tinha que ir até a sala do editor. Queria que aquele texto saísse no meu blog.

***

Entrei na sala dele. Uma sala arrumadinha, bem perfumada, mas com um homem por trás da mesa que metia um medo incrível. Ele estava olhando o computador quando entrei, com um livro sobre o teclado. Sentei na cadeira como já havia feito algumas vezes e deixei o texto deslizar sobre a mesa em direção a ele. Estava confiante de uma aprovação.

- Bem... - Ele disse, passando os olhos rapidamente pela folha - espero que este tenha mais conteúdo que o outro, que mais parecia uma notinha do que texto.

Dei um sorriso amarelo enquanto ele permanecia em silêncio lendo. Normalmente ele lia riscando algumas coisas, colocando sugestões de como eu poderia estruturar melhor a matéria. Mas agora não. A caneta em sua mão apenas balçava, as vezes batendo na mesa, enquanto ele analisava minhas palavras.

Por fim não disse nada. Amassou a folha e jogou no lixo ali perto.

- Mas... Como assim? Por que isto? É... é o meu texto! - Disse, quase me levantando, se não fosse o fato do editor ser tão grande. Ele me olhou com olhos maduros e disse calmamente.

- Meu caro, esse texto qualquer um pode escrever. Entenda isso. Não gaste espaço à toa. Qualquer um pode escrever um texto criticando a Marcha pra Jesus por trazerem uma banda de funk gospel pra cá. Você acha que é o único cristão sentindo isso? Acha que é o único que sente a língua tremendo pra chamar eles de hipócritas? Você não acha que já tem pessoas suficientes do lado de fora da Igreja fazendo piadas e críticas sobre isso?

Ele parou um pouco. Senti um toque de emoção na voz dele. O editor também estava irritado, mas parecia ver além.

- Meu caro, é simples olhar uma situação e fazer um texto crítica de primeira. É moleza. Difícil é olhar uma situação e fazer uma crítica a si mesmo.

***

É isso.

Sentia uma vontade hoje de escrever o tal texto, mas me deparei com esta barreira em minha mente. Será que muitas vezes nós não cometemos isto? Não chamamos nosso eventos, nossas músicas, nossos blogs de "cristãos", de "pra Jesus", apenas para termos uma desculpa?

Óbvio que não. Somos santos, perfeitos e temos uma visão certa sobre tudo. Não caímos nos erros dos fracos. Dos incapazes. Dos arganazes.

E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? (Mt 7:3)

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Um simples post.

Hum...

Amanhã escrevo alguma coisa.

Apenas cobrem de mim, se necessário com tortura, os seguintes textos:

- Ídolos e Pós-Modernismo

- O Violão Desafinado(PLÁGIO)

- A alegria do Arganaz

É ixo.

sábado, 9 de junho de 2007

Tremenda graça


Um texto simples, com o título baseado num belo filme que não saiu no Brasil e com o texto inspirado em algo que pensei ontem à noite.

Na verdade, uma frase.

Vim a Cristo como muitos, pelos meus pais, ainda criança. Assim, entrei no meio da Igreja, dos Separados, sem ter experimentado muitos dos misturados, e fui batizado sem entender o que realmente acontecia. Com o passar do tempo, porém, mesmo no meio da Igreja, comecei a experimentar (moderadamente e sem excessos como todo bom religioso, claro!) pecados, e ai vi a minha maldade, uma maldade interior e anterior a mim, que eu não conseguia vencer.

Ai se encontra a graça de Deus. Ele nos perdoa não de nossos roubos, de nossas mentiras, de nossos pecados apenas, mas da nossa rebelião. Isto é algo que todo o cristão discípulo deve ter diante de si: ele foi perdoado de sua rebelião, de sua ineficiência de agradar a Deus. Seja quão boa ou quão ruim for nossa experiência passada, fomos alvo de uma graça totalmente imerecida. Enquanto não entendermos isto, seremos apenas religiosos em busca de um deus confortável.

---

Meio idéias jogadas no papel, mas é o que eu tinha pra dizer mesmo...

Abaixo, um trailer (sim, meroarganaz.blogspot é multimídia!) de um filme de cujo o título irei o meu e com um singelo e discreto anúncio ao lado deste site.

E me cobrem o texto: "ídolos e o pós-modernismo"

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Um olhar do Passado


Monte Hood, no Oregon, USA
É estranho olhar para o passado, ver o que fomos, e ver como somos. Porém mais estranho é dar um passo atrás, e ver o nosso futuro novamente daquele ponto de vista. O que antes era uma montanha, agora é um monte de perto.

Coloco ali embaixo um texto que escrevi a mais de um ano, bem naquela fase de pré-vestibular. O engraçado é: passei, graças a Deus, e a vida tem sido boa. É isso mais ou menos o que a gente tem que aprender: cada dia o seu mal. Cada ano o seu mal. Ele vai passar, e outro vai chegar (quem sabe se melhor ou pior). Mas o que temos por certo é: no fim, quando tudo acabar, ai chegaremos ao alto da montanha. As dificuldades terão passados. Jogaremos a mochila no chão, e descansaremos na casa do Pai.
***

Olá amados.

Gostaria de estar compartilhando rapidamente com vocês algumas coisas que Deus me falou essa semana, e que acho que são meio comuns entre nós. Sobre preocupações. Essa semana, tive uma aula que a professora começou a falar sobre profissões, que a gente tem que fazer o que dá dinheiro, que mais vale dinheiro na mesa do que tempo com a família, etc... E comecei a me entristecer. Quero fazer jornalismo, e como alguns sabem, é um curso que não costuma pagar tão bem e ter um mercado tão bom quanto Engenheiro Mecânico, outra opção minha, e por isso fiquei pensando, ficando triste, tals... Mas ai nosso paizinho começou a me dizer que sim, temos dificuldade, mas que nós não somos daqui. Logo, todo aquele peso, toda aquela raiva contra o capitalismo, foi caindo, saindo, e permaneceu um sentimento de alienação, de não pertencimento à este mundo, de até mesmo, desrespeito às regras que este mundo diz que temos que seguir, a fim de obedecer as regras que o Criador do mundo pediu que respeitássemos.

Estejam amados, atentando para o que é mais importante. E, relembrando de uma frase que li esses dias no devocional, "o mundo é cruel e maldoso. Mas seria muito pio se alguém quisesse que nós gostássemos deste mundo!".

sábado, 2 de junho de 2007

O Deus Invasor


A-a-ssim como a água/ Enche a esponja
Era uma vez um Reino.

Não sei direito aonde ele ficava, mas os antigos dizem que ficava numa tal de depressão do Ego, onde houve uma batalha há um tempo. Bem, não sei até que ponto isto está certo (O historiador Dan Brown não fez ainda um livro nos explicando o que é verdade ou mentira nesta caso), mas vou falando do que ouvi.

Neste vale, havia um pequeno reino. Não era que nem os feudos das aulas, com servos forçados e um rei cheio de poder e crueldade. Os servos, sim, tinham de trabalhar, e aos 30 anos estavam sendo medidos para o caixão, e não comiam carne, mas viviam felizes, riam, e olhavam as estrelas de noite. O rei, Igiosso, não era alguém forte. Na verdade, se sentia meio fraco, e era mais motivo de piada para os servos do que motivo de reverência.

Pois bem. Um dia, um mensageiro chegou na porta da cidade. Ele usava roupas coloridas, alegres, e de tal forma andava que as pessoas ficavam olhando para ele pelas frestas do muro em mal estado. Ele foi direto ao secretário, que tinham uma mesa na entrada do Reino.

- Olá. Represento um Rei distante, Rei Terno, porém que agora vem chegando próximos destes feudos. Informo-lhe que este Rei é dono destas terras, e agora pede ao seu senhor que se torne vassalo dele.

O porteiro olhou para o mensageiro com um certo desdém - até por não entender o que era vassalo - e voltou a olhar para seu papel.

- Bem, se você soubesse quantas pessoas aparecem todos os dias dizendo que são donas destas terras... Bem, mas digamos que eu simpatizei com você. Está vendo aquele bosque ai ao lado? O nome dele é Bosque do Moral. Você e seu rei podem fixar acampamento ali.

- Somente isto? - o mensageiro perguntou, dando grande ênfase em cada palavra.

- Bem... - O Porteiro ficou um pouco nervoso com o tom de voz dele, mas nada que chamasse sua atenção mais do que o conto que lia no papel - bem, vocês podem dar uma passeada pelo reino nos domingos de manhã. Basta?

O mensageiro iria falar alguma coisa, mas bom estrategista que era, aceitou. Não completamente, mas por um tempo apenas.
***

Um tempo se passou. o Rei Igiosso estava com alguns problemas. Suas medidas absurdas (como impedir que os homens fortes morressem na guerras para ter um exército forte, ou mandar as galinhas botarem dois ovos por dia para que ele não tivesse que parar de comer omelete) deixaram de ser piada e passaram a ser vistas como atos irresponsáveis. Pelas ruas conspirações eram feitas em todos os momentos, e era sensível que em algum momento os camponeses trocariam os intrumentos agrícolas por espadas e facas, e iriam até o castelo.

Foi neste momento que o Mensageiro veio falar com o Rei.

- Bem, senhor, venho falar com você sobre a situação em seu reino.

O rei Igiosso deu um sorriso.

- Ora, como assim situação! Tudo está bem, e... CUIDADO! - ele se abaixou segundos antes de uma flecha acertar a parede de pedras atrás de si. Depois de respirar um pouco, o mensageiro disse.

- E agora, o que você me diz?

- Bem, isso não foi nada... Devem ser os arqueiros, ou o vento... Tenho que fazer uma

Um Feudo
lei proibindo o vento de lançar coisas pela minha janela... Onde já se viu! - Mas depois de ver que o mensageiro não concordava com o que ele dizia, Igiosso cedeu, e resolveu ir até o Rei Terno.
***

Igiosso estava na tenda do Rei Terno. Uma fogueira aquecia seu interior.

- Até aqui na Moral pode-se ouvir os murmúrios contra você, Igiosso.

- Sim, eu imagino - Ele respondeu, vendo o fogo. Seu coração também se derretia de pedra para algo mais transparente naquela tenda. Era feliz dizer a verdade, ou pelo menos concordar quando a ouvia. Receber o Reino do seu Pai, mas no testamento não constava a responsabilidade.

- Você deve ter ouvido que eu sou o verdadeiro Dono destas terras, não? - Igiosso concordou, com um certo medo - Então. Tenho uma alternativa para você, Igiosso: invadirei seu Reino.

- Mas como assim invasão! Perai, as coisas não chegaram a um ponto que seja necessária uma medida assim, e... - Igiosso parou e pensou um pouco. - É, quem sabe eu precise mesmo de um ajuda, mas... Uma invasão?

- Sim meu caro. Sou um Rei experiente. Já ajudei muitos reinos a serem realmente livres, e que seus reis, na posição de meus vassalos, puderam viver harmoniosamente com seu feudo. Proponho invadir seu Reino, entrar em cada casa, em cada quarto do seu castelo, e ali tirar aquilo que pode mover uma nova rebelião. Depois, com o seu feudo subjugado ao meu poder, colocarei você no trono - não no de Rei, mas de mero Regente.
Esta será minha invasão.
***


Um texto meio rápido, eu sei (sim ele acabou naquele três pontos ali). Fiz ele apenas para dizer uma coisa: Deus é invasor. Não um invasor no sentido de ir entrando, de arrombar portas, de subjugar quem está berrando. Ele é um cavalheiro neste termos. Mas é invasor no sentido de que, quando ele entra em nossas vidas, ele entra em tudo. Eu sei que isso é uma das palavras feitas do Cristianismo, mas muitas vezes nos esquecemos, justamente por ser palavra feita.

Invada-nos.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Introdução a"O Deus Invasor"

Um judeu
Recebi, li, gostei, e mando pra vocês, como uma introdução ao esperado O Deus Íntimo.

“Escrevi-lhe as grandezas da minha torah, porém essas são estimadas como coisa estranha” (Oséias 8:12)


"Esta é a queixa do Eterno contra Efraim. Não é uma prova insignificante de Sua bondade, que Ele se incline para repreender Suas criaturas errantes; é uma grandiosa evidência de Sua disposição cheia de graça, que incline Sua cabeça para observar os assuntos da terra. Se Ele quisesse, poderia Se envolver com a noite como se fosse um vestido; poderia colocar as estrelas ao redor de Sua mão como se fossem um bracelete e unir os sóis ao redor de Sua testa como um diadema; poderia morar só, longe, muito acima deste mundo, acima do sétimo céu, e contemplar com calma e silenciosa indiferença todas as atividades das criaturas.
Mas Ele usa o profeta para trazer Sua Palavra para que nós, que nos afastamos de Sua presença e de Sua Torah, para que reflitamos por algum momento e façamos teshuvá.
Shabat Shalom
"

Pedro Cardoso

---

Só mais uma coisa, que queria acrescentar: este esses dias numa reunião, quando um irmão orou dizendo "Deus, perdoa nossos pecados... Para que a gente não perca a comunhão contigo".

Depois falo mais.

sábado, 26 de maio de 2007

Enquanto dormimos
ou: "A Piada do Arganaz"

Então.
Estava vindo hoje da padaria, pensando um pouco.
Na verdade, já fui pensando.
***

Sabe quando você está sentado, pronto para começar alguma coisa importante, e alguém te chama pra fazer uma coisa que você não pode deixar de atender? Foi mais um menos isso que aconteceu. Mas o problema é: eu já estava um dia atrasado na leitura Bíblica. Já tinha perdido uma parte da tarde vendo o último capítulo da terceira temporada de Lost. Já tinha depois do almoço perdido um tempo largateando ao sol. Não dava pra sair assim.

Mas minha carne ficou berrando justiças-próprias enquanto eu me levantava e seguia pra padaria.
***

Cheguei lá, peguei meu pão, e voltei pra casa.

Foi ai que a minha barreira de pensamentos começou a ser invadida. Poxa: não por orgulho, vã-glória (longe de mim! e sem ironias!), mas estes tem sido os dias que o Senhor mais tem falado comigo. Tem sido dias que o nome deste blog, Arganaz, tem se tornado uma constante. Tenho tentado buscar, ler, orar... E o Senhor tem respondido.

Ai está: Deus tem visto. Às vezes, a gente acha que vai fazendo, vai colocando as coisas de Deus na frente, e acaba perdendo tempo, isso aquilo... Mas do céu o Senhor olha. Do céu o Senhor vê. Não que a gente vai querer que ele olhe, buscando reconhecimento - se nossas vidas fossem passadas em telões, ganharíamos mais desprezo que louvores. Mas o que nos alegra é que Ele permite. Passamos a viver na alegria daquele que não dá carga maior que podemos suportar - e nos dá forças para as outras.

Ai Reina a piada do Arganaz: Quando somos fracos, ai que vemos ser fortes. Nossas fraquezas passam a ser apenas oportunidades para Deus mostrar sua força.

Então vivemos.
***

"Os altos montes são das cabras montesinhas, e as rochas, o refúgio dos arganazes" (Sl 104:18)
"Há quatro coisas mui pequenas na terra, que, porém, são mais sábias que os sábios (…) os arganazes, povo não poderoso; contudo, fazem a sua casa nas rochas" (Pv 30:6)
***

"Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão de dores, pois ele supre aos seus amados enquanto dormem" Salmos 127:2 (Esse último ouvi na reunião hoje. Deus dá enquanto dormimos. Enquanto descansamos nas mãos dele. Quando vemos que só nele conseguimos algo, e somos tão inúteis que podemos até dormir que ele continua trabalhando).

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Frases Católicas

Eu sei que, após a visita do Papa, a frase ali encima pode parecer meio ofensiva. Mas na verdade, apenas coloquei ela porque a frase que eu vou colocar abaixo (mais uma daqueles tópicos frasais) eu sempre imaginei como vinda da boca de um padre - bem aquele estilo americano, com roupas pretas, aquele quadradinho branco no pescoço e a cara de velho. Vai ver por que, não sei, mas a imagem do Padre, pelo menos na literatura inglesa, e na pessoa do padre Brown (Leiam-no!), parece muito mais amigável, mais intima, para esta frase - possivelmente pelo uso da palavra paróquia, que não cabe num texto evangélico.
G. K. Chesterton, pai do Padre Brown

Possivelmente devo estar errado em muita coisa que disse ali encima, mas é o que veio agora.

E vamos à frase:

"É jovem, é assim mesmo, sabe. Já vi muitas pessoas na minha paróquia que falavam que queriam morrer por Cristo - mas que não queriam deixar de ver seu futebol num domingo para cuidar dos filhos do amigo. Ouvi de pessoas que berravam que Deus podia abrir o Mar Vermelho, criar o mundo em 6 dias - mas que no fim do mês caiam em depressão por não saberem o que iam fazer. É meu jovem", o Padre dá um sorriso sábio, "A gente costuma acreditar nas coisas muito facilmente lá na reunião, quando Deus está visivelmente presente. Porém, quando saímos dali, e Deus continua presente, mas de uma maneira mais sutil, não é fácil", e olhou então para a paisagem em frente, e com um sorriso que lhe iluminou a face, disse "mas também não é difícil!".
***

Estou lendo um livro deste carinha legal ai encima (só não falo que ele é jornalista porque é pleonasmo dizer "carinha legal jornalista"), Ortodoxia. Depois transcrevo umas partes do livro - mas é louco!
***

E mais uma coisa:
ste símbolo ai do lado.
Estava ontem estudando a Bíblia lá na ufsc e, ao olhar pro lado, vi esse símbolo no caderno de uma pessoa.
Eu gosto de matemática, mas me trouxe alegria sair do ensino médio com o inocente pensamento que isso não passa de um "e" legal.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

G.E.M. (Gospel-Emo-Moviment)


Estava lendo a Veja esse fim de semana (não tinha nada melhor, como uma Superinteressante, Galileu, ou Tititi mesmo, ai tive que ler essa revista). Página vai, página vem, encontro uma entrevista sobre o tal evangelho de Judas. Bem, mais uma daquelas entrevistas que devem servir para o leitor normal sair dizendo que Cristo era relativista, essas coisas modernas. Não podia esperar outra coisa da querida revista.

But, o que me surpreendeu depois foi ver que ele respondia numa pergunta que ia a Igreja. Mas não é só isto: ele é presbítero (com profundo respeito e sem nenhuma ironia aos irmãos presbiterianos). Um presbítero dizendo que no começo a Igreja Cristã era mais "liberal", mais "aberta a novas idéias". Combina muito bem com o Jesus histórico que Lewis já citava no meio do século passado, que consiste de um Jesus "bom", "amável", "querido", mas de maneira nenhuma Senhor. Kirius.

Ok, e o que isto tem a ver com o G.E.M. do título?

É que logo depois, este pastor fala que "gosta de cantar no coral. É ali que ele se sente melhor. Se sente melhor. Sentir melhor. Sentir.

É isso!

Sabe, como é que a gente pode aceitar um pastor dizendo que Jesus não é o Senhor, que ele não é o Rei Absoluto que a Bíblia fala, que a Igreja não é o único lugar santo? Mas veja: ele está ali por se sentir bem. Ai tá a jogada. Muitas vezes no nosso meio, e nós mesmo, passamos a seguir a Cristo não porque realmente vemos ser ele o único caminho de reconciliação com Deus - mas por que a gente se sente bem quando canta, tem um povo legal, de vez em quando tem umas festinhas.

Esse é o problema. O cristianismo Emo, que não usa sapatos xadrez ou cabelinho pro lado, mas que passa a existir e a se mover pelos sentimentos - mas nunca pelo real motivo: servir àquele que morreu por cada um de nós, e que merece ser seguido pela eternidade mesmo que não ganhemos uma moeda em troca. Se ganharmos, não é por que merecemos, mas pela Graça de Deus.

Hum.

É isto queridos leitores. Algo que me incomodou, e que despejo agora aqui nestes caracteres.

E em breve: RTD, lá rádio que toca la Bíblia!

domingo, 20 de maio de 2007

O Deus do retiro é o mesmo hoje

Desde um tempo peguei e mania de anotar as coisas. Não, não estou dizendo aqui do blog mesmo. Estou dizendo de anotações dia a pós dias, marcando o que tenho visto, o que tenho passado, o que tenho ouvido.

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Esta semana, pelo menos ontem, foi um dia mais difícil. Orações difíceis de sair, quase aquele céu de bronze que o Kléber Lucas coloca magistralmente numa de suas músicas. Ai, depois de passar um tempo penando em orações, de até chorar, mas de ainda assim ver o céu da mesma natureza metálica.

Ai eu fui ler as anotações.

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Outra hora eu coloco aqui o texto na integra, com os nomes e situações mudadas para preservar os meus miguxos. Mas o que eu posso dizer é qe depois de ler aquilo tudo, pude cantar alegre "O Deus que agiu /Naquele Retiro /É o mesmo hoje".

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As vezes, precisamos olhar o nosso passado, nas lutas do presente, para continuar em frente. Tomar forças para, em meio no vale da sombra e da morte, seguir em frente aquele que nos guia.

"E a tua vara e o teu cajado me consolam"

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Umas dicas ...

Estive sem muito o que fazer esta manhã e resolvi criar um pequeno site, para todos aqueles que tem visitado este blog. É um site bem simples, que vou atualizar mais vezes, com dicas que ajudam a vida de nós blogueiros.

Paz.

http://rmben.vilabol.uol.com.br/dicas.htm

PS: É obvio que eu fiz esse site também parta você parar de me perguntar as coisas, né Esther! E vê se ém de colocar um linkizinho mixuruca na sua página, divulga esse blog, faz um tópico falando dele, essas coisas...

domingo, 13 de maio de 2007

Ele esté entre nós

Ok.
Eu ainda vou escrever um texto bonito, sobre o esquema do Papa, e das manifestações "evangélicas" contra Sua Santidade. Quero fazer mesmo, pelo menos desmistificando esta imagem do catolicismo como exclusivamente uma arma do Inimigo contra Cristo.

Mas o que queria citar agora é o que está no título. Não sei se você que está lendo é católico, evangélico, gospel, discípulo... Mas pelo menos você deve acreditar em Deus (se não, pule este post).

O que ocorre é que o Papa chegou ao Brasil, e o povo foi a loucura! Segundo uma notícia que ouvi na Globo (que a cada minuto passa algo sobre o papa), várias pessoas começaram a ir até as unidades de saúde após ver o Pontífice.

O fato que eu queria deixar é: Bem, ok, o papa deve ter alguma importância.Mas, de qualuqer forma, essa importância deve ser menor do que quem ele represente. É ridículo que uma foto seja amis real do que uma paisagem. Que a cópia, mais fiel que o original. E que um papa, mais importante que Deus.

Ok, velho papo crente de sempre, num texto escrito rapidamente e sem pensar muito. Mas depois escrevo mais, e melhor.

Paz!

Sansão usava Firefox



Hum...

Testando um novo brinquedo

Testando o novo brinquedo de aumentar uma parte do título.

Deve ser o que dá estudar sobre a tipografia no Art Nouveau.

PS: Comprei o Redemption Songs.

E amanhã falo mais.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Complexo de Deep Blue

Eu ia escrever qualquer outra coisa, mas veio agora uma idéia, e ela é suficientemente boa para não deixar escapar.

Antes, o informe noticiário:

"Em 11 de Maio de 1997, o russo Garry Kasparov perdeu para o computador Deep Blue num campeonato de Xadrez. No ano anterior, Kasparov havia ganhou três, empatado duas e perdido uma para o computador".

Isso é interessante.

Temos este complexo dentro de nós. O complexo da criatura que quer surpreender o Criador. O da criatura que quer ser livre, que quer largar as algemas e dizer "olha, eu consigo andar sozinha".

O Complexo de Deep Blue - mais um para os ávidos psicanalistas.

Textinho simples, mas só pra demonstrar um pouco do nosso desejo de ser livres.

Ah, e a referência bíblica de hoje está no Salmo 2.

Bon´apetito.

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PS: Em relação aos bottons colocados ao lado: o do filme é interessante. Vale a pensa ver o trailer (principalmente se você entender inglês e não ficar assistindo as figurinhas que nem eu). O outro é de uma rádio que comecei a ouvir. É interessante, tem uns sons bons, e o site dels tem uma área de figuras relativamente boa.

C´est

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Xeque



Ok, eu devia colocar hoje aquele tal texto lá legal de ontem, que seria a introdução perfeita pra, nas próximas semanas, estar colocando algo sobre a "Teoria do Deus Pessoal", uns textos sobre esse negócio de Deus ser pessoal - e o que isso quer dizer, na verdade.

Mas algumas coisas vem acontecendo... As peças se movem no jogo de xadrez. O jogo que estava meio empoeirado já é novamente mexido. O painel do conforto cai por terra, e não mostra algo muito bonito por trás.

Devo ficar mais um tempo online, e vou jogar mais xadrez então.

Que o Rei dê um xeque nesse peão aqui!

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Uma Nota

Só pra escrever mesmo, e não esquecer deste blog tão cedo...

Como escrever um texto de verdade (tenho um ótimo engatilhado, já!) demora tempo, que é (já dizia meu fotolog) algo que eu não tenho agora, vou colocar uma frase que pensei/recebi estes dias, e que me chamou a atenção sobre a veracidade dela. Aliás, a frase tem a ver bastante com o que vou escrever amanhã.

"Sabe meu caro, nós, e nossas preocupações, nossos planos, nossos objetivos... Nossa vida, sabe... Funciona mais ou menos como a bainha de uma espada. Bem, você pode ter a espada mais bem afiada, e ser o melhor cavaleiro - mas se a espada continuar dentro de sua bainha, não vai fazer muita coisa".

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Vergonha

Ccréditos: esther
"Porque, quem se envergonhar de mim e das minhas palavras, dele se envergonhará o Filho do homem, quando vier na sua glória, e na do Pai e dos santos anjos". Lucas 9:26

Hoje mesa do café. Eu e meu irmão conversando.

- Ah, sabe aquela música lá que eu tenho que apresentar.
- Sei - eu disse.
- Então... Acho que não apresentar a música que a mãe disse não...
- Por que?
- Ah, sabe... É que... Eu gosto de rap... Não gosto muito daquela música. E também, é por que ela fala de Jesus, sabe.

Segue-se um discurso de irmão mais velho, falando contra isso, e citando o versículo acima.

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"Ou como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho, não atentando tu mesmo na trave que está no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão". Lucas 6:42

Hoje eu andando no centro, vindo da faculdade.

Chegando na minha plataforma, vejo um colega da escola. Uau. Dos tempos de ginásio. Danilo. Sabe como é quando a gente encontra gente antiga - tem aquele receio, aquele resguardo. Mas ai o Senhor fala pra não conhecer mais ninguém segundo a carne. Vou lá e, quando ele ia passar o passe, nos vemos e vamos conversando até a casa da minha vó - uns 15 minutos dali.

Uma parte da conversa vai ser transcrita.

- Tá e tem muito festinha lá?
- Tem, mas eu não vô, né. Não gosto muito.

E começo uma dissertação com expressões como "meus amigos são diferentes", "me sinto deslocado nas festinhas", "não gosto".

E em nenhum momento cito a real razão de não ir.

Ser Servo do Senhor.

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Indo hoje pro centro, antes de ir pra aula à tarde, depois do que aconteceu com meu colega.

- Poisé, Senhor. Tô indo pro centro... Quero ver O Grande Abismo , ou o CD do Jars of Clay... Você sabe.

"Desce aqui".

- Poisé, e eu... Não to sentindo nada em descer aqui na UFSC. Tô passando aqui em frente aonde eu tinha que descer e nada...

"DESCE AQUI".

Desci uns três pontos depois.

No caminho, vim conversando. Queria algo mais. Queria sair dessa vidinha. Desse conformismo. Que as pessoas olhassem pra mim, e ai vissem a vida de Cristo. Que nesse mundo onde as autoridades são contestadas, onde você falar de Deus, falar "graças a Deus" é sinal de fraqueza, neste mundo de verdades relativas, que eu pudesse ser diferente. Ser Santo. Ser separado. Ser do Senhor. Que as pessoa vissem essa marca em mim.

Orei mais um menos isso ao Senhor.

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Tenho esses dias pensado em muitas estampas. Essa situação, enquanto andava, me fez pensar numa com uma placa dizendo "pertenço ao Senhor", "propriedade exclusiva dele", essas coisas.

Sabe qual a comédia?

Cheguei em casa depois. Não me lembro se foi antes ou depois de falar com meu irmão. Não me lembro se foi em casa até. Mas, num momento depois d´eu ter pensado nesta estampa, eu olhei minha camisa.

A estampa dela era aquela que tá lá no começo deste texto.

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"Mas Pedro, respondendo, disse-lhe: Ainda que todos se escandalizem de ti, eu nunca me escandalizarei.
Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que esta noite, antes que o galo cante três vezes me negarás." (Mt 26.33-34)

"Então começou ele a praguejar e a jurar, dizendo: Não conheço esse homem. E imediatamente o galo cantou." (v. 74)

"Perguntou-lhe terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Entristeceu-se Pedro por lhe ter perguntado pela terceira vez: Amas- me?
E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas; tu sabes que te amo.
Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas." (Jo 21.17)

Engraçado que o nome do CD do Jars of Clay é Redemption Song´s

quarta-feira, 2 de maio de 2007

"O que o dinheiro não pode comprar"

Ok.

A frase ali de cima já virou clichê eu sei. É aquele tipo de coisa que a gente sempre escuta, tanto em propagandas de cartão de crédito ou em filmes da Xuxa de fim de ano.

Mas o curioso é que eu li essa frase semana passada num lugar bem diferente: o meu devocional*. Até tinha visto no dia anterior o título e já esperava mais uma coisinha simples, simplória, que não me acrescentaria nada. Porém Deus tem uma alegria em nos surpreender.

O texto já começou diferente, ressaltando que o que o Dinheiro não pode comprar, realmente é o reconhecimento de Deus. Sim, é exatamente isto: de nada adianta o dinheiro para comprar a salvação, o título de filho de Deus, um terreninho no céu com vista pros portões de pérola.

E ai entra a parte realmente nova, inesperada. Porém, nós temos acesso a isto. Nós podemos ter essas coisas ali de cima. E ai tá - não pagamos com dinheiro, não pagamos com obediência, não pagamos com nada! Isso é a graça de vida cristã, saber que tudo o que recebemos é de graça. Saber que o perdão dos pecados não é por causa só do arrependimento, mas principalmente por causa de um sacrifício de um inocente. Ai está o cerne da vida cristã, e que muitas vezes tem sido ignorado. Não há nada que posamos fazer para alcançar Cristo, e o que nos resta é louvá-lo pelo grande sacrifício, e continuar firme nele, na nossa rocha de salvação.

Aliás, isso é a essência do Arganaz: ele é fraco, frágil, mas sua casa, a Rocha, que não foi construída por ele, é forte.

C´est.

*Livrinho que ajuda a ler a Bíblia.

PS: Ok, o texto não ficou muito bom, eu sei... Normalmente quando eles saem da cabeça começam a estragar mais rápido. Mas caso alguém ai tenha se interessado pelo texto que eu li no devocional, é bom dar uma olhada nesse link aqui. Tá em inglês de portugal, mas dá pra ter uma idéia.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Alvorecer

"Eu creio no Cristianismo tal como creio que o Sol nasceu, não apenas porque o vejo mas porque através dele eu vejo todas as outras coisas." (C. S. Lewis).


Poisé.

Bom que temos o alvorecer para nos animar.

Já há algum tempo não tenho atualizado aqui (e sempre volto de um intervalo com o mesmo começo de texto). Hoje porém, quero tentar fazer diferente. Fui abençoado por Deus com uma ADSL, e quero usá-la não apenas para aumentar o meu número de recados do orkut, mas para compartilhar com cada um de vocês as coisas que o Senhor tem me chamado a atenção nestes dias.

Só para comentar, estes devem ser os próximos temas que eu devo estar trazendo aqui, se possível ainda amanhã - o texto na verdade está quase pronto. Falta só claridade para bater uma boa foto ilustrativa.

Os temas são:

  • Lúcia, Aslam e Ouvidos Atentos;
  • Graça de Jesus;
  • "Aquilo que o dinheiro não pode comprar"


  • É isso por enquanto.

    sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007


    Poisé.

    Um grande problema dos textos é que, para passar uma idéia simples, temos que dar todo um contexto, nome para os personagens, o conflito entre eles, para depois começar a escrever o que realmente importa. Não que seja um trabalho muito desgastante, mas demora - e num mundo onde a meta é produtividade, produtividade, PRODUTIVIDADE!!!, isso não é uma coisa muito boa.

    Tempos modernos.

    Sendo assim, vou fazer deste post um simples texto, com uma idéia que tive hoje, sobre nos chamarem de tapados, essa mania dessa cambada de mente aberta por ai. Seria um texto maior, mas como o tempo não é muito longo, vou lançar a idéia, apenas, compartilhar, e cabe a vocês dar uma continuidade, pensar num fim para a história.

    Como aqueles exercícios do ginásio.
    Vamos ao texto então, que começa de uma forma peculiar:

    Um tio, em pé, com as duas mãos na face, paralelas, para a frente, como aquilo que os cavalos usam.
    - Garoto, para com isso! Você não pode ser mente fechada, guri! Não pode ser tapado, que nem os cavalos de corrida, achar que só o que o pastor fala tá certo! Não é assim! Não viu aquele pastor na televisão? Eles são tudo assim!
    - Mas tiu - o garoto retruca - qual o problema de ser tapado? - O tio sai de cima da mesa da lanchonete e coça sua infante careca.
    - Ah sobrinho... Sabe como é! ter mente fechada, olhar pra uma só coisa... Isso é ruim, né!
    - Mas qual o problema de olhar pra um só lugar?
    - Ah sobrinho... Poxa, tem que olhar pra mitas coisas, ver o que as pessoas falam... Não pode só seguir um caminho!
    - Bem tio. Se é desse jeito, o que acha de trocarmos esta palavra. Tapado é uma palavra meio feia. O que acha de trocarmos tapado por monogâmico?
    - Ãn?
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    Assim no papel agora parece pior do que quando eu pensei nela pela primeira vez - até porque muitas vezes que é mais tapado é aqueles que nos chamam, e não estão dispostos a sair de suas próprias convicções para Cristo.

    Aproveitando a deixa, então, vou colocar outra pequena idéia, mais antiga, mais fermentada.

    - Sobrinho, como é que você crê na Bíblia? Foram homens que escreveram o que queriam, e só depois de bastante tempo os padres junatram tudo. Tem isso até naquele livro da capa vermelha que tu me deu pra ler, filho - a tia se vira para seu filho, que comia uma taça de sorvete - aquele de capa vermelha com uns olhos na frente...
    - Bem tia... Eu sei de tudo isto. Mas vamos falar uma coisa: a tia é professora, não?
    - Sim, há trinta anos, com um monte de celebridade aprendendo a escrever pelas minhas mãos - ela disse, com uam ênfase um pouco exagerada nas primeiras pessoas.
    - E então. Como essas pessoas aprenderam a escrever?
    - Ora... Você sabe: eu segurava as mãos delas, e ia desenhando a letra. Em menos de três meses todas aprendiam.
    - E então... Mas quem escrevia?
    - Ora... Eram elas - e havia um pouco de tristeza em sua voz por não poder usar a primeira pessoa do singular nesta frase.
    - Mas era a senhora que escrevia na verdade, não? Elas apenas seguravam o lápis e deixavam sua mão fazer tudo. Você escrevia através das mãos delas.
    - Sim, claro!
    - E então tia. Com Deus é a mesma coisa: eles manejava as mãos dos escritores. Na verdade, era Ele quem escrevia, mas manejava as mãos dos profetas por trás. Foi Isaías quem escreveu o livro dele, assim como Mateus e Marcos, mas na verdade Deus usava das mãos deles para escerver aquilo que ele queria para seus filhos.
    -----

    Por enquanto é isto.

    Escolham um dos textos, completem, e me entreguem no final da aula.

    domingo, 7 de janeiro de 2007

    Liberdade

    Poisé.

    O primeiro texto deste blog veio mais rápido do que qualuqer um esperava (até mesmo eu). Na verdade, eu não escrevi tudo isto desde que eu postei o primeiro texto da nova época. Já era um texto que eu tinha a bastante tempo no computador, e como eu tinha que colocar alguma coisa, vai ele mesmo!

    Só uma nota, antes do texto: ele é meio grande (3 folhas no word). Ai, pra facilitar a degustação, dividi ele em três partes. Não sei se vai dar certo, mas estamos ai pra ver - minhas queridas cobaias humanas =D.

    (Espero que ninguém me denuncia pro Greenpeace).


    I - O Cachorro e seu humano.

    Uma das coisas que mais deve intrigar os não-cristãos é o tal papo cristão de liberdade. Como pessoas que não podem ficar, não podem sair de noite, não podem, não podem, falam com toda a convicção em liberdade? É, no mínimo, um paradoxo! Porém esta questão de paradoxos é bem presente em todo o cristianismo, como quando, por exemplo, Jesus disse que quem quisesse viver de verdade deveria morrer. E, mesmo sendo um paradoxo à primeira vista, há uma certa lógica nele.
    Por exemplo: quem é mais livre, um cachorro ou um ser humano. É meio estranha a pergunta, mas foi. Voltando, você pode até falar "ah, o homem é regido pelas leis capitalistas, enquanto que o cachorro pode escolher o que quiser sem se preocupar com isto. Logo, o mais livre é o cachorro". Sim, mas analise a questão do cachorro. Ele quer comer? Vai lá e come, e se não tiver o que comer, ele vai procurar, roubar se necessário. Ele quer dormir? Vai lá e dorme, e se não estiver num lugar apropriado, como no meio da estrada, vai para um lugar melhor e logo dorme. Ele quer brigar com outro cão, porque se irritou com ele? Vai lá e briga, morde, sem raciocinar. Se quer, faz. No entanto tenho usado em todo esse tempo o mesmo verbo para falar do cachorro: o querer. Entretanto, será que o cachorro "quer", "deseja", assim como nós, humanos, desejamos? Não seria melhor falar que o cachorro na verdade "é induzido por seu instinto de sobrevivência a"? este instinto o induz a comer, a dormir, a brigar pelo o que é seu. Não vamos analisar se estas coisas que ele faz seguindo seu instinto são "boas" ou "más", mas por enquanto espero pelo menos que o leitor tenha chego à conclusão, ou pelo menos concorde em parte, que o cachorro é de certa forma escravo de seus instintos.
    E quanto ao homem? Bem, também temos estes instintos, contudo não é só eles que determinam o que o homem vai fazer. Se um homem tem fome, e vê um desconhecido comendo uma coisa perto, a primeira coisa que pensa é que deveria ir lá e pegar o que o homem está comendo a força. Mas tão logo esta indução aparece, já se depara com uma infinidade de outros pensamentos, que nos dizem que não devemos fazer isto, porque é da pessoa; que não desejaríamos que fizessem isto para nós; que quando chegar em casa teremos comida, ou que podemos mesmo comprar comida; que poderíamos pedir um pedaço para a pessoa, em vez de roubar tudo, etc… enquanto o cachorro simplesmente tinha um instinto, um norte a seguir, o homem se sente puxado de vários lados por várias opiniões dentro dele, por vários instintos, e pode fazer várias escolhas. Enquanto o cachorro tem apenas uma, e a segue, o homem pode escolher entre várias, pesar cada uma e ver qual a melhor para ele no momento. Também podemos ver esta questão da comida por outro ponto de vista: digamos que uma jovem está num supermercado e pode escolher entre comprar uma garrafa de água mineral ou de refrigerante. Mesmo sabendo que o refrigerante é mais gostoso (pelo menos para a maior parte das pessoas normais) que a água, a jovem pode escolher esta segunda, pensando ser mais saudável. E, mesmo escolhendo a água, há uma infinidade de marcas a escolher, cada uma oferecendo um diferencial, como preço, com ou sem gás, etc… O cachorro não tem isto. O que cair na rede é peixe, para ele. E também, em relação à escolha, não precisa ser sempre algo que vai nos agradar mais. Pode ser que a jovem goste muito de refrigerante, mas que escolha, mesmo que o instinto dela se auto-agradar seja muito forte, tomar algo menos gostoso e mais saudável. Novamente, não vamos analisar por enquanto se o que o homem faz no fim é "bom" ou "mau", ou então donde vieram estas convicções acerca do que é certo ou errado, se da educação, se da Bíblia, ou se de outro instinto. O que espero que o leitor concorde, pelo menos em parte, é que, ao contrário do cachorro, o homem liberdade de fazer escolhas baseadas em outras coisas que não o instinto de sobrevivência, e pode fazer escolhas que sejam prejudiciais a ele, como um homem que escolhe morrer pelo seu país.

    II - Bem, tem alguma coisa errado, não?
    O que falei acima sobre o homem era, na verdade, o plano inicial de Deus para a humanidade. Porém algo aconteceu, e fez com que este plano de liberdade, do homem poder realmente escolher seu próprio caminho, se perdeu no caminho. Basta olhar para o número de compulsões, que não passam se instintos supervalorizados que temos hoje no mundo. E não falo só das compulsões que recebem este nome e cujos donos são tratados como loucos, mas de qualquer vício, químico ou não, que se baseia numa volta aos antigos padrões animais, já que a pessoa não tem escolha senão suprir a necessidade. No caso da jovem que ia comprar água, por exemplo, ela pode em outro dia comprar refrigerante, ou então não comprar mais mas tendo todo um embasamento lógico para isto. Contudo, o que acontece é que muitas pessoas vêm seguindo seus vícios de maneira que só o impulso de fumar, ou de comprar, ou de roubar, importa em suas vidas, e sem nenhum raciocínio que passe, em seu cerne, de "ah, me deu vontade e então eu fiz". Com certeza este não era o plano de Deus para a humanidade. Ele queria, pelo o que temos conhecido dEle, homens que escolhessem racionalmente a Ele, mesmo podendo escolher outras coisas. Não homens que fossem escravizados por estas compulsões, por estes vícios, ou pelo nome que a Bíblia dá para eles: pecados. Sim, pode parecer estranho chamar qualquer vício (até mesmo aquele de falar mal das pessoas, ou de odiar fulano porque ele realmente é mau, mas não conseguir perdoar) de pecado, mas é assim que a Bíblia chama. Um versículo ilustra isto muito bem: "Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero".(Romanos 7:15). E o versículo seguinte, então, é ainda mais esclarecedor: "Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim" (v.16). Quando o homem sai de sua posição de poder escolher as coisas racionalmente para o estado em que faz Poe uma vontade louca de fazer isto, caso contrário não consegue viver direito, é pelo pecado. Deste jeito, voltando ao exemplo do cachorro, o homem fica num meio termo entre o homem-projeto-de-Deus e o cachorro, pois enquanto pode fazer algumas escolhas racionalmente ainda, tem algumas áreas da sua vida que se encontram escravizadas por este pecado.

    III - O trevo que a gente não devia ter pego a direita (ou esquerda, dependendo do ponto de vista político)

    Agora chegamos então ao ponto do início do texto: a liberdade. Em Romanos lemos o apóstolo Paulo falando sobre este problema dele não fazer o que queria. Se o livro de Romanos terminasse assim, nos restaria o desespero, ou então esperar enquanto viramos animais, cada vez mais presos de nossos desejos, de nosso egoísmo e orgulho. Mas no capítulo 8, logo nos versículos 1 e 2, lemos algo interessante: "Agora pois, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte". Sim, o homem estava debaixo da tendência à escravidão, mas, através da morte de Cristo, por um processo que o leitor pode se inteirar mais lendo a própria Bíblia, o homem ficou livre desta escravidão. Mas não para um "oba-oba", e ai entra o amor que o homem que foi liberto por Cristo tem de ter pelo seu mestre. Porque, na liberdade, teríamos direito de fazer o que quiséssemos, e é isto que o leitor deve entender: o cristão tem a liberdade, mesmo que seja para voltar à escravidão. Cristo não tira de nós as algemas da escravidão de nós mesmos, do nosso ego, e coloca-nos algemas dEle mesmo. Ele nos dá total liberdade, assim como o pai da palavra do filho pródigo deixou o filho ir para a cidade, mesmo sabendo que aquilo não ia acabar bem. Este é um dos pontos chaves para se entender a liberdade: somos, em Cristo, totalmente livres para escolher o nosso próprio caminho.
    Mas seria sem sentido esse sacrifício de liberdade se não viesses com uma alternativa melhor. É como se uma fazendeiro alforriasse os escravos, mas que eles não tivessem pra onde ir, e tivessem que continuar na fazenda. Podiam até mesmo ser livres, e se dizer livres, ter a carta de alforria e tudo o mais, porém teriam que continuar vivendo na fazenda, e se quisessem ganhar dinheiro, comida, teriam que trabalhar, voltando a ser escravos. Todavia, Cristo, além de nos libertar, nos deu uma alternativa muito maior: o seu amor. Enquanto a escravidão se sustenta em torno do orgulho, do seu ego, a vida de Cristo se baseia no amor. Quando uma pessoa conhece a Cristo, mas conhece mesmo a ponto de poder falar, como Jó falou que "Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem" (Jó 42.5), ela percebe que a vida ao lado de Cristo é realmente boa. Conhecendo a Cristo, todo aquele papo de que o fardo de Cristo é mais leve, etc… vira verdade em nossas vidas, e desta forma, fica totalmente lógico escolher viver ao seu lado, quase forçado, mas como disse Lewis, "a compulsão de Deus é a nossa salvação". E é algo que só podemos ter com esta salvação, com Deus iniciando o processo, porque antes, no poder do pecado, não podíamos viver ao lado de Cristo por mais que quiséssemos, porque seríamos destruídos pela sua santa presença. Porém, com a nova vida que podemos desfrutar pela sua morte, não só temos a permissão para andar ao seu lado, como Ele nos dá forças para poder viver uma vida nesta escolha. Porque Ele, citando novamente a Bíblia (embora um leitor não-cristão esteja achando por demais monótona e "religiosa" esta parte do texto), "efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo sua boa vontade" (Fp 2.13). Eu sei, como disse acima, que esta parte pode ter ficado meio monótona, cheia de citações e pouca filosofia. Mas, se eu vamos falar de cristãos, fica difícil fugir daquilo que os diferencia dos não-cristãos. Esta distinção entre cristãos e não-cristãos deve causar calafrios em alguns leitores, soando como sectaristas, mas apenas mostra aqueles que desfrutam desta liberdade, desta real liberdade de poder escolher o que fazer, e poder escolher pelo melhor sem ter a o nosso ego tirando o foco das coisas realmente importantes, e aqueles que (ainda, espero) não podem desfrutar desta liberdade, e servem de escravos nas mãos do pecado.
    Um último recado então, voltado para os cristãos: pode ser que, depois de ler este texto, você comece a falar com mais vontade sobre a liberdade que temos em Cristo, e muito provavelmente algum amigo metido a filósofo, ou apenas um daqueles que gostam de quebrar as "crendices" dos outros fale assim "Ah, mas diz ai: eu posso fumar, posso namorar quantas eu quiser, posso fazer o que me der na telha. Desde quando um 'crentezinho' mandado pelos pastores é mais livre que eu", ou alguma variação disto. A resposta é simples: primeiro pergunte à pessoa se ela pode deixar de fazer aquilo quando ela quiser, realmente. Ele pode então dizer "ah, eu não consigo, mas ser tu fizesse, tu também não ia conseguir". Então, chegue perto, sorria e diga "eu já tenho Cristo. Não preciso de mais nada".

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    Liberdade não é fazer o que é agradável, mas o que é bom.

    Um novo começo denovo

    É difícil, depois de 10 meses sem escrever nada prum blog - e escrevendo prum flog apenas o nescessário para conseguir algum dinheiro no fim do mês... Perai, mas eu não ganho por escrever o flog! -, tentar escrever algo. Sabe, há o desejo de se colocar um humor (como ali atrás... desculpa, as vezes escapa), há o desejo de agradar o leitor, mas não é fácil você amarrar ele assim, depois de 10 meses sem dizer nada. Tem que cativá-lo aos poucos, como o Pequeno Prícipe e a Raposa (isso! citar clássicos sempre ajuda), até que eles se tornem leitores assíduos e encham sua caixa de e-mail com perguntas sempre que você passa uma semana sem atualizar.

    É difícil, como a trajetória de Frodo rumo à Montanha da Perdição, mas deve ser uma sina desse pessoal que escreve - o querer ser lido. O querer que as pessoas comentem seus textos. E não é orgulho - eu acho, embora ninguém nunca se acha orgulhoso -, mas apenas o desejo de ser útil, de agradar as pessoas, algo meio normal desse estarnho bicho chamado ser humano.

    (Para de filosofar Rogério! Ninguém gosta disso, ainda mais partindo de ti!)

    ok...

    Mas é isso. Estamos de volta. Já vou dizendo - não vai ser toda semana que vai ter texto não. Eu quero que sim, mas sabe como é né: universidade agora, estudar, ser alguém responsável (=/). Ok, isso não vai ter muito a ver, pelo menos não tanto quanto a minha preguiça. Mas espero, apesar dela, estar atualizando frequentemente, com aquilo que eu tenho visto neste mundo, e principalmente, do que e pude ver através do Cristianismo. Sabe, que em cada texto, que em cada relato, eu possa estar falando de coisas corriqueiras, mas com a ótica que o Pai tem. E isso não significa ter versículos, capítulos, e palavras como "ma" ou "beneplácito". Significa apenas ver as coisas por uma visao alternativa, que no começo nos parece estranha, desconexa, mas que aos poucos se mostra como a maneira pela qual todas as coisas se tornam simples.

    (Filosofando denovo!)

    Mas é isso. Vamos acabar por aqui antes que as pessoas comecem não lendo este primeiro texto deste nova época (que nova era é do mal).

    Então é isso pessoal! Arranjem uma cadeira confortável e um monitor que não danifique os olhos (ou usa usa óculos escuros... deve fazer o mesmo efeito), e esperem. Em breve textos mais simples, mais diretos e sem esses tantos rodeios que são minhas marca registrada.

    Té.